13 de junho de 2017

HOMENAGEM AO ESCRITOR ANTONIO VELOSO ATRAVÉS DE SEU TEXTO "DIA DE SANTO ANTÔNIO". CONFIRA.

 
 

 
  
 
DIA DE SANTO ANTÔNIO
 
 
 
Chego a Deus em você,
sintonizando sua energia elevada
 
 
 
 
Até hoje está e lá ficará por muito tempo guardado no pequeno armário de vidro do quarto de meu filho uma imagem de Santo Antônio, seu santo de devoção.
 
Já era o meu santo preferido, assim como o foi da família  de meu avô materno, de quem eu e ele herdamos o nome: Antônio Joaquim e juntos a devoção a Santo Antônio.
 
Tanto eu, como minha esposa, ou qualquer outro membro da família, jamais lhe incentivamos essa devoção. Ela brotou de si próprio, de seu próprio desejo.

Quando da escolha de seu nome, antes do nascimento, sua mãe viu vários nomes possíveis. Contudo, notou meu desejo, que ele tivesse meu nome, embora não lho dissesse e foi ela quem escolheu seu nome. Não apenas o primeiro nome, mas o nome  e sobrenome completos, dizendo: Vai chamar-se igual ao pai, e adicionaremos Junior.
 
Ainda lhe perguntei, não vai levar o teu sobrenome? Ela respondeu: não tem importância. Eu sei que querias muito um menino, por isso terá o teu nome completo.
 
Quando o batizamos, logo após o registro, eu sempre pensava: Deus me enviou esta criança, para que meu nome se perpetue, e quando eu morrer, continuarei vivendo nele e este nome, continuará por muito tempo na nossa família.
 
Mas quem controla o destino? Não nós, e ele se foi para junto de seu Santo protetor antes de mim e já deve ter pedido a Deus, através dos anjos e santos, em especial de Santo Antônio, por mim, por sua mãe e por toda a família.
 
Hoje sua mãe não foi trabalhar, foi à Igreja orar por nosso filho, ela que em pequeno, sempre o levava lá neste dia.
 
A devoção de sua mãe era e é Nossa Senhora da Conceição, de quem ele foi anjo por duas vezes seguidas.
 
Mas hoje é dia de Santo Antônio, o santo dos pobres, o santo dos namorados e pelo qual se iniciam as festas juninas.
 
Nosso filho, se compadecia principalmente pelas crianças pobres.
 
Numa de suas redações sobre a violência contra as crianças afirmava:
 
A maior violência que se comete contra as crianças é a fome. É uma violência que não se pode admitir, em nosso país.
 
Hoje, no mundo além da nossa imaginação, estará com certeza,
 
pedindo a Deus que dê comida a todas as crianças. Que não deixe passar fome as crianças do Brasil.
 
Ele que em criança, se emocionava e chegava a chorar, vendo crianças iguais a ele, jogadas pelas ruas, sem ter o que comer. Nos questionava: Porque seus pais não as alimentavam?
 
Respondíamos que eram pobres e não tinham dinheiro  para comprar alimentos.
 
Ele ficava muito triste, tentava saber o por quê  de seus pais serem pobres.  E até ao fim, teve uma visão social, por demais madura para a sua idade.
 
Neste mundo, Deus não lhe deu tempo para que colocasse em prática suas preocupações com a pobreza.  Esperamos que do Céu tenha poder maior,  do que teve aqui na Terra, onde ficou seu corpo mortal.
 
Quem sabe se, com almas iguais à dele, a fome seja um dia banida do nosso planeta, por obra de Deus.
 
Pois, se formos apenas esperar a ação dos homens, daqueles que poderiam e deveriam fazer alguma coisa, para minorar os problemas dos necessitados, nunca teremos solução.
 
Pois ao contrário de meu filho, todos pensam apenas em si próprios e quase ninguém  ama o próximo como a si mesmo, como fez o nosso menino e sei que continua fazendo na eternidade.
 
 
 




Texto íntegro extraído do livro: Sobreviver sem perder a Esperança de Antônio Velloso, cuja 2ª edição será lançada em agosto aqui no Brasil.

 
 
SOBRE O AUTOR DO TEXTO,
ESCRITOR ANTÔNIO VELOSO.

 

 
 
 
Antônio Joaquim Gonçalves Veloso nasceu em Póvoa de Lanhoso, Freguesia de Sobradelo da Gama, em Portugal, no dia 3 de fevereiro de 1942. Iniciou a carreira no magistério em 1972, na Universidade Federal Fluminense (UFF), aposentando-se em 2004, como professor Adjunto IV, na Universidade, exerceu vários cargos, como chefe do Departamento de Geografia e coordenador do curso de Geografia e membro titular do Conselho de Curadores.
 
Atuou também como professor da Academia do Corpo de Bombeiros/RJ para o CFO e no Curso de Aperfeiçoamento de Oficinas (CAO) do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Dentre seus títulos: É Bacharel e Licenciado em Geografia(UFF), defendeu Tese de Mestrado em Geociências com o tema Geomorfologia e Sedimentologia da Lagoa de Araruama (1978), na mesma instituição.
 
Conquistou o Proficiency in English, pela Universidade of Michigan em 1968, é Diplomado em Altos Estudos de Política Econômica, pela Escola Superior de Guerra (2002), apresentando a monografia Recursos Hídricos das Regiões Brasileiras, com ênfase aos do Estado do Rio de Janeiro.
 
Foi consultor de vários projetos em Niterói, contribuindo com pareceres e laudos técnicos sobre o solo e rochas do Mirante da Boa Viagem (1992), onde foi edificado o Museu de Arte Contemporânea (MAC); sobre a encosta de Itacoatiara, trabalho solicitado pela comissão de Meio Ambiente da ALERJ (2003); sobre o deslizamento na Enseada do Bananal, na Ilha Grande (2010) e sobre o deslizamento no morro do Bumba, em Niterói (2010).
 
Foi ainda coautor do Projeto NitGeo, da Fundação Geotécnica de Niterói (entregue à Prefeitura de Niterói em 2009). Além destas atividades, o professor Antonio Veloso é autor de Treasures of Brazil (Pedras preciosas do Brasil), produzido para a H. Stern Joias e lançado em 2004, na Brasileia, Suíça.
 
No campo da literatura, escreveu as obras: Sobreviver sem perder a Esperança - reflexões e aspectos psicológicos, Ed. Atheneu, 1998, 300 páginas, Ecologia Espiritual, uma História do Corpo de Bombeiros no Brasil, Ed, Atheneu, 2008, 195 páginas. Memórias da Infância (Vida rural nos anos 60), ED. DM2JR-2015,Niterói,RJ,250 páginas.
 
 

Livros: Memórias da Infância de Antônio Veloso.

Antônio Veloso - escritor
autografando livros.
 
 
 
 
 
 
 
 
 COMENTÁRIOS
 
 
 
 
A simplicidade e a emoção no texto de Antonio Veloso são mostras delicadas de sua contribuição para a literatura.
 
Neste relato, dedicado ao filho amado e ao Santo da devoção, o escritor revela sua alma sensível e produz uma imagem que se acomoda, docemente, em nossos corações. Não há como escapar do afeto solidário. Os sentimentos se elevam e uma lágrima furtiva nos aquece.
 
Luiz Carlos Lemme
poeta e presidente da Esquina da Arte.
 
 
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