15 de janeiro de 2013

UMA FOLHA QUE TOMBA (OU QUE CAI)







UMA FOLHA QUE TOMBA
(OU QUE CAI)
                                                                                     
Numa bela manhã de maio, passeando, cheio de felicidades, pelo calçadão da praia de Icaraí, tive a alegria de acompanhar o bailado de uma folha que se desprendera de uma das muitas amendoeiras que sombreiam aquele agradável local.
Subitamente parei para contemplar a tal cena sem me importar com as pessoas que por mim passavam e, certamente, me viam naquela posição estática e abobalhada no meio da calçada. Ilhado pelas pessoas e absorto, eu fixava meus olhos naquele espetáculo que a natureza me proporcionava e que nem sempre dou valor.
Confesso que muita coisa passou pela minha cabeça naquele momento de grata enlevação enquanto a folha dançava de um lado para outro até deitar ou repousar tranqüilamente na calçada. Inicialmente pensei: a folha caiu. Depois, rebuscando uma melhor palavra descobri que a folha tombou. Não gostei muito da palavra caiu, pois significa perdeu o equilíbrio, indo ao chão, ao passo que tombou soava melhor para mim, pois significa derrubou, deitou ao chão.
Após essa pequena desavença literária resolvi projetar somente para mim a cena que acabara de presenciar: uma simples folha de amendoeira oscilando no ar ao se desprender da árvore mãe. Era uma folha amarronzada clara que, certamente, tinha cumprido a sua missão neste maravilhoso teatro universal do qual somos todos protagonistas.
Aquela folha, talvez, não tenha, ao longo de sua vida, deixado transparecer a muitos que ela também foi importante no plano do Criador.
Quantos, hoje, se sensibilizam, com a utilidade das plantas, dos animais, dos rios, dos mares, do ar atmosférico e de tudo o que circunda o homem e que foram engenhosa e estrategicamente dispostos no universo pelo Criador? No Livro do Gênesis encontramos no Cap. 1: Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança . Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra. Deus Criou o homem à sua imagem.... ..Criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: “ Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a . Dominai sobre ..... Deus disse: “Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas que contem em si mesmas a sua semente, para que vos sirvam de alimento ..... Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom....”
Mas voltando àquela singela folha que tombara aos olhares de poucos (?): Quantas pessoas das muitas que passavam pelo local se tocaram de que aquela folhinha integrava esse maravilhoso quadro que dá vida e nos encanta pela sua beleza, pela sua grandiosidade e pela certeza da exclusividade inimitável, de autoria do nosso Criador?
 
 
 
Aquela folha saiu da terra e cumpriu a sua missão. Enquanto pode, participou da vida da árvore à qual estava ligada, embelezou a natureza, a nossa cidade e serviu de sombra e abrigo para as pessoas e os pássaros. Terminado o seu ciclo de vida, voltou à terra e servirá de adubo para a mesma, colaborando de várias maneiras para a manutenção de outras formas de vida e conseqüentemente, de novo, com a harmonia da natureza.
Quanta beleza, gratuita, à nossa disposição.
Será que damos a devida atenção a tudo isto? Ou será que, insensíveis, nada enxergamos, nada ouvimos e nada divulgamos?
Espero que o episódio narrado acima possa levar os meus queridos leitores a algumas reflexões sobre a beleza da vida e o papel que cada um deve desempenhar no trato com as coisas que o Criador - ao cria-las achava que eram boas – nos deu de graça, sem que nada fizéssemos por merece-las.
 
 
 
 
 
cedido gentilmente por
 
 

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