19 de dezembro de 2009

AI DE TUAS PEDRAS





ai de tuas pedras




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Ivanildo di Deus - Poeta Luzilandense

O HOMEM JESUS






O homem Jesus

Dezembro é um mês muito especial. Como são todos os meses de dezembro. As casas, as ruas, as avenidas se enchem de luzes. Cantos, cantigas, dramatizações do nascimento de uma criança singular se reprisam em escolas, templos e associações. Em nome de um menino, os corações se sensibilizam e cada qual procura tornar muito bom o dia do Natal. Eclodem emoções. E ante tanta sensibilidade que desfila ao longo desses dias, é de nos indagarmos: Quem é essa criança cujo nascimento é evocado, mesmo após decorridos mais de vinte séculos da sua morte? Porque afinal, costumamos comemorar o aniversário na terra dos que estão conosco. Depois que realizam a grande viagem, rumo ao invisível, nós lembramos outras datas. Mas ninguém pensa em realizar festa de aniversário para aquele que já se foi. E outro detalhe muito significativo. No dia em que se comemora o aniversário dessa criança, quem recebe os presentes são os que promovem a festa, numa alegre troca de embrulhos, lembranças e mimos. Só mesmo um Espírito tão grande quanto o do Cristo poderia atravessar os séculos e prosseguir lembrado. Foi tal a revolução que promoveu no Espírito humano que a Terra O recorda, ano após ano. Sua revolução não utilizou armas de fogo, ferro ou aço. Foram, no entanto, as mais invencíveis armas do amor e da bondade. Desde o nascimento, exemplificou. Rei das Estrelas, Senhor dos Espíritos, tornou-Se criança, adolescente, homem e viveu com os homens. Demonstrando, através de pouco mais de três décadas que não importam as circunstâncias, quem deseja ser bom pode sê-lo. Viveu em período em que a política romana comandava o mundo, em que a hipocrisia farisaica imperava e, no entanto, manteve-Se puro. Lecionando humildade ao nascer em um berço de palha, traduziu a lição do trabalho na carpintaria de Seu pai José. Ele, que moldara, junto com o Pai Supremo as formas da Terra que habitamos, não Se envergonhou de domar a madeira e transformá-la em bancos, mesas, utensílios domésticos outros. Senhor e Mestre, em cada momento de Sua vida, ensinou pelo exemplo, testificando que o bem vence o mal, a luz vence a treva. Mais de dois mil anos são passados, desde Sua vinda à Terra. Quando nos decidiremos por Lhe seguir a excelsa doutrina, que conjuga o verbo amar e que utiliza os substantivos doação, renúncia, abnegação?
* * *
Jesus é nosso Modelo e Guia. Por isso mesmo, nenhum de nós deve se dizer desiludido com essa ou aquela postura equivocada de seguidores de qualquer credo. Porque afinal o que importa mesmo, é a conduta do nosso Mestre Jesus que, em nenhum momento, abandonou as linhas do dever e do amor sem limites.


Redação do Momento Espírita.

17 de dezembro de 2009

A EDUCAÇÃO PELA PEDRA

A EDUCAÇÃO PELA PEDRA


Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender dapedra, frequenta-la;
captar sua voz inefática, impessoal
(pela de dicção ela começa aulas).
A A lição de moral, sua resistencia fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições de pedra ( de fora para dentro,
cartilha muda),para quem soletrá-la.


JOÃO CABRAL DE MELO

16 de dezembro de 2009

TORQUATO NETO


Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina PI, 1944 - Rio de Janeiro RJ, 1972). Cursou Jornalismo no Rio de Janeiro, por volta de 1966, mas não chegou a concluir a faculdade. Nos anos seguintes compôs letras musicadas por Gilberto Gil ("Geléia Geral", "Louvação"), Caetano Veloso ("Deus Vos Salve a Casa Santa", "Ai de Mim", "Copacabana", "Mamãe, Coragem") e Edu Lobo ("Lua Nova", "Pra Dizer Adeus"). Entre 1970 e 1972 atuou nos filmes Nosferatu no Brasil e A Múmia Volta a Atacar, de Ivan Cardoso, e Helô e Dirce, de Luiz Otávio Pimentel. No período também criou e redigiu a coluna Geléia Geral no jornal carioca Última Hora. Em 1973 ocorreu a publicação póstuma de seu livro de poesia Os Últimos Dias de Paupéria, organizado por Ana Maria S. de Coraújo Duarte e Waly Salomão. Três anos depois, foram incluídos alguns de seus poemas na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda em 1976. Em 1997 foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe Nothing the Sun Could Not Explain, organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher. Torquato Neto foi um dos compositores mais inovadores da canção popular dos anos de 1970. Fonte: www.itaucultural.org.br
Veja também:
http://www.torquatoneto.com.br/






A RUA

toda rua tem seu curso
tem seu leito de água clara
por onde passa a memória
lembrando histórias de um tempo
que não acaba

de uma rua de uma rua
eu lembro agora
que o tempo ninguém mais
ninguém mais canta
muito embora de cirandas
(oi de cirandas)
e de meninos correndo
atrás de bandas

atrás de bandas que passavam
como o rio parnaíba
rio manso
passava no fim da rua
e molhava seu lajedos
onde a noite refletia
o brilho manso
o tempo claro da lua

ê são joão ê pacatuba
ê rua do barrocão
ê parnaíba passando
separando a minha rua
das outras, do maranhão

de longe pensando nela
meu coração de menino
bate forte como um sino
que anuncia procissão

ê minha rua meu povo
ê gente que mal nasceu
das dores que morreu cedo
luzia que se perdeu
macapreto zé velhinho
esse menino crescido
que tem o peito ferido
anda vivo, não morreu

ê pacatuba
meu tempo de brincar
já foi-se embora
ê parnaíba
passando pela rua
até agora
agora por aqui estou
com vontade
e eu vou volto pra matar
essa saudade

ê são joão ê pacatuba
ê rua do barrocão.

TORQUATO NETO. Os últimos dias de paupéria: do lado de dentro. Org. Ana Maria S. de Araújo Duarte e Waly Salomão. 2.ed. rev. e aum. São Paulo: M. Limonad, 1982

ALVINA GAMEIRO



ALVINA GAMEIRO - POETISA HOMENAGEADA NO 7º SALIPI

Escritora e poeta piauiense, nasceu em Oeiras em 1917.

Livros: 15 contos que o destino escreveu (Conto 1970); A Vela e o temporal (Romance e Novela 1957), Chico Vaqueiro no meu Piauí (Poesia cordel 1971); Contos do sertão do Piauí (Conto 1988), Curral de serras (Romance e Novela 1980); O Vale das Açucenas (Romance e Novela 1963);
Orfeão de sonhos (Poesia 1967).

De
CHICO VAQUEIRO DO MEU PIAUÍ
Fortaleza: Editora Henriqueta Galeno, 1971

VI

O Vaqueiro de pé, tem ares de um vigia,
erguido no terreiro, amarrado à magia,
de um sonho fascinante, eivado de poesia...

Em palor o clarão da tarde se resume;
já começa a dançar no espaço o vaga-lume;
as estrelas no céu acenderam seu lume
até que o dia surja entre os braços da aurora.
Diáfana beleza empolga o campo a fora
e o concerto do vento está parando agora.

A noite vai tomando o coração da mata;
a gentil açucena em néctar se desata.
Apenas, no silêncio, há notas de sonata,
que os sapos, em mil sons, rouquejam sem parar,
pois têm cada vivente em meio de saudar,
mostrando aos corações um jeito de agradar...

O esplendor do luar, que mais e mais fulgura,
de prata banha inteira a máscula figura,
tão imóvel que até nos lembra uma escultura
de guerreiro lendário ou místico profeta...
É que o Vaqueiro escuta em meio à noite quieta,
sua alma que se dá a cantares de poeta...

Tem BA boca apagado o coto do cigarro;
ouve atento o cri-cri desse grilo bizarro,
cantador do gramado ou da frincha de barro,
e lhe vem à cabeça a existência suprema
de um Deus que fez o amor, que da vida é o emblema,
como a rima de luz é a essência de um poema...

Falando à Natureza, ele pergunta apenas,
por que foi que o <> molhou com tantas penas
as delícias do amor nas estradas terrenas?
Com que fim acordou a estranha comoção
que sente sem querer, tomar-lhe o coração
e é misto de prazer e de atribulação?!...

E Chico sabe, sim, que este amor vinga e cresce
e se o tenta esconder, tanto mais aparece
e quanto mais na sombra, então, é que floresce...


XI

Quando o inverno chegou, alastrou-se a fartura;
o campo se cobriu inteiro de verdura,
e a chuva que fecunda a terra e a planta cria,
no peito pastoril, desabrocha a alegria.

E chove sem parar, e chove noite e dia.
a lavoura crescida ao toque da invernia,
rebenta em floração, e os imensos trançados
cobrem de jitirana as cercas dos roçados.
Emboneca-se o milho, o arrozal cacheia,
e de grandes melões a roça se faz cheia,
maxixe e melancia estendem cabeleiras
na estrada que ficou entre os seios das leiras.

Os rio colossais a essa hora já transbordam
sobre várzeas sem fim, onde as reses engordam.
Há lagoas brilhando entre o verde capim,
e reúnem-se ali, em perene festim,
comendo a trabalhar, pássaros ribeirinhos,
para o ninho fazer e esperar os filhinhos,
mostrando, na lição, a sábia Natureza
que antes da geração se faz o abrigo e a mesa.

Na alcatifa do campo há milhares de flores
desiguais em tamanho, em feitio e nas cores;
é a toalha pintada em estilo divino,
a dizer o <>, na grandeza do ensino,
que não fez distinção semeando os engodos,
no banquete do mundo onde o assento é de todos,
e do néctar do amor, que é o pólen da criação,
Deus serviu a toda a alma um brinde de emoção.

Que beleza é a pupila azul do firmamento,
lacrimejando amor, vazando o juramento
do verde que em fartura espraia, nasce e cresce
no campo, nos vergéis, na caatinga e na messe!...


XIV

E junho veio enfim, e como ele a moagem,
o ruído do engenho e as cheirosas tachadas.
E junho veio enfim, concedendo a hospedagem
aos que costumam vir brindar as vaquejadas.

Convidam-se ao redor, os vizinhos amigos,
e os vaqueiros que vêm testar a valentia.
Agregados se dão ao preparo de abrigos
Que vão dar cobertura aos heróis da porfia...
Entrega-se à alegria o povo da Fazenda.
Há latidos de cães no paio da morada
e os homens conversando, enquanto armam a tenda,
põem-se a rememorar casos de vaquejada.

Adiante, esfolam bois para fazer tassalhos
e o machado golpeia, enquanto o facão talha.
Na cozinha, onde alguém resmuninha entre ralhos,
rude não de pilão, sobre a paçoca, malha.
E do forno de barro, arrastam cinza e brasa
para enfiar ali, muitas flandres de bolo:
cariri, caridade, e os sequilhos de casa,
pamonha, manauê, a peta, o engana-tolo.

Visitas da cidade os carros vêm trazer.
Chega o compadre branco e também chega o preto,
que as honras têm iguais no trato a receber,
e a carne vai servir aos dois no mesmo espeto.
Feliz o fazendeiro, exige na festança
tudo que há de melhor, fartura sem rival,
porque sempre viveu e vive na abastança,
que tributar desvelo é dom patriarcal.

E junho se derrama, alegrando as Fazenda
como o dinheiro do gado após a apartação,
transportando o Divino, a colher oferendas,
trazendo o boi-bumbá na festa de São João.



CASOS E DESCASOS


Casos e descasos

Com mãos e pés cortados não me sinto!

Mas me sinto infestado pelo absinto

Com cheiro de hélio, vômito e patê!

Suflê, não! Suflê tem cheiro? Bem, doce

É ...e bom, verdade venha sempre, infrene!

Mas morrer por sushi e pouca higiene?

E assim, antes de ouvir: – É o Fim, danou-se...

Fogo ao disco furado: o Mundo é vasto!

Cd? Nem pensar: Mancha a folha e o pasto!

Não! O "casto" calendário quis dizer...

Versos que, de tão "fofos", são macios!

Por isto, amigos, não sigam o exemplo

De mim que a mim em mar bravio contemplo

(Se é modelo quem vive de elogios)! a 03/02/09




Luciano Almeida
Publicado no Recanto das Letras


em 04/02/2009Código do texto: T1421353



Poeta do Piauí morre afogado em balneário em Caxias(MA)
Luciano Almeida era estudante de Letras da Ufpi. Ele estava com a namorada e um casal de amigos.
Um estudante de Letras da Universidade Federal do Piauí(Ufpi) morreu afogado na madrugada deste domingo(8), no município de Caxias(MA). Luciano Roberto Almeida, 30 anos, estava na companhia da namorada e de um casal de amigos, no banho Canaã, situado no povoado Brejinho.
Segundo informações colhidas junto ao 1º Distrito Policial da cidade, as quatro pessoas iriam passar a noite no local. Luciano Almeida logo entrou na água e afogou-se. De acordo com a polícia, os amigos fizeram uso de bebida alcoólica, o que pode ter provocado a morte.

A família da vítima esteve no início da tarde de hoje no município para prestar queixar e solicitar a remoção do corpo. Ele será trazido para Teresina e velado no bairro Mocambinho, na zona Norte, onde o rapaz residia.

Luciano Almeida cursava Letras Inglês e Português na Ufpi. O estudante se dedicava à produção de textos literários e mantinha uma página de poesias no site nacional UOL.




Foto: Arquivo Pessoal





PERDIÇÃO


Perdição



Por mares de sargaços

e enganos perdi-me na rota

de estranhos portulanos

feitos por arcanos d’antanho.

Por causa de lábios

que falavam de amor

seguindo incertos astrolábios

soçobrei nas tormentas

de algum cabo Bojador.

Egresso de Sagres

dancei a Dança dos Sabres

no mapa de meu destino.

Nas garras da ventania

joguei um jogo de morte

em que tudo se perdia.

No derradeiro naufrágio

encontrei enigmas e presságios

nos búzios que no abismo havia.

E tudo se findou num veleiro encalhado

em mar de absoluta calmaria.


ELMAR CARVALHO - POETA PIAUIENSE

HOMEM AZUL NUM RIO MAGRO


POEMA DO LIVRO: A PROFISSÃO DOS PEIXES,

3ª EDIÇÃO, REVISTA E DIMINUÍDA
HOMEM AZUL NUM RIO MAGRO

LIDA COM EMBARCAÇÃO QUEBRADA

Rubervam Du Nascimento





comemos pão

à mesa

comemos depois

a mesa

bebemos rios

de dentes

vida se assusta

com tanta ternura

MENSAGEM DE DALAI LAMA

"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver!"
Dalai Lama

PENTAGRAMA DE NATAL




PENTAGRAMA DE NATAL


FELIZ NATAL!
PRÓSPERO ANO DE 2010!



Quando o vento sopra as estrelas

sopra os frutos

tudo o que se guarda

se move

pois quem traçou o caminho dos ventos

também deixou seus rastros

escritos na via das estrelas

e um pentagrama de gaivotas...

Assim como é em cima

é embaixo diz a Lei!

Desde a primeira pedra te espero

à beira do rio onde nasce o milho

lá onde se multiplicam as palavras

e os peixes de sangue e jade

e a aurora esparge o pólenA

pedra foi revolvida

Ele é nascido todos os dias...



É NATAL!



Lillian Reinhardt - poetisa

http://www.facebook.com/friends/?ref=tn#/notes/lilian-reinhardt/um-pentagrama-de-natal/237233266275

JESUS SABE






Quantas lágrimas você já verteu a sós, sem ninguém para lhe estender um ombro amigo, sem uma palavra de alento, sem nenhum consolo... Considere, no entanto, que Jesus sabe... Quando você descobre que seus amigos, nos quais você depositava a mais sincera confiança, lhe traem, e a amargura lhe visita a alma dolorida, no silêncio das horas... Jesus sabe. Jesus conhece os mais secretos pensamentos e sentimentos de cada uma das ovelhas que o Pai Lhe confiou. Jesus sabe das noites mal-dormidas, quando você se debate em busca de soluções para os problemas que lhe preocupam a mente... Das dores que lhe dilaceram a alma, quando a solidão parece ser sua única companheira fiel, Jesus sabe... Dos imensos obstáculos que você já superou, sem nenhuma estrela por testemunha, Jesus sabe... Da sua sede de justiça, Jesus sabe. Da sua luta para ser cada dia melhor que o dia anterior, Jesus sabe. Jesus, Esse Irmão Maior, a quem o Pai confiou a Humanidade terrestre, conhece cada um dos Seus tutelados. Se você sofreu algum tipo de calúnia, de injustiça, alguma punição imerecida, Jesus sabe. Jesus conhece as suas horas de vigília ao lado do leito de um familiar enfermo... Sabe da sua dedicação aos filhos, tantas vezes ingratos, ao esposo ou à esposa problemática. Jesus sabe dos seus auto-enfrentamentos para vencer os próprios vícios e as tendências infelizes. Jesus conhece suas fraquezas, seus medos, suas chagas abertas, suas inseguranças... Jesus sabe das muitas vezes que você persiste em caminhar, mesmo com os pés sangrando... Jesus sabe o peso da cruz que você leva sobre os ombros... Jesus sabe quantas gotas de lágrimas você já derramou por compaixão, sofrendo a dor de outros corações... Jesus conhece suas muitas renúncias... Suas amarguras não confessadas... Jesus sabe das esperanças que você já distribuiu, dos alentos que você ofertou, das horas que dedicou voluntariamente a benefício de alguém... Jesus conhece suas ações nobres e percebe o desdém daqueles que só notam e ressaltam suas falhas. Jesus entende seu coração dorido de saudade, dilacerado pela solidão, amargurado pelas dificuldades que, às vezes, parecem intransponíveis... Jesus sabe que todas as situações pelas quais você passa, são para seu aprendizado e para seu crescimento na direção da grande luz. O Sublime Pastor conhece cada uma de Suas ovelhas e sabe o que se passa com cada uma delas. Por isso Ele mesmo assegurou: Nunca estareis a sós. Jesus é o Divino Amigo que nos segue os passos desde sempre e para sempre. E nos momentos em que suas forças quiserem abandoná-lo, aconchegue-se junto ao Seu coração amoroso e ouça Sua voz a lhe dizer, com imensa ternura: Meu filho trace o seu sulco; recomece no dia seguinte o afanoso labor da véspera. O trabalho das suas mãos lhe fornece ao corpo o pão terrestre; sua alma, porém, não está esquecida. E eu, o jardineiro divino, a cultivo no silêncio dos seus pensamentos. Quando soar a hora do repouso e a trama da vida se lhe escapar das mãos e seus olhos se fecharem para a luz, sentirá que surge em você, e germina, a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os seus suores e misérias formam o tesouro que o tornará rico nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas... E onde o mais desnudo dentre vós será talvez o mais resplandecente.


Redação do Momento Espírita, com base no item 6, do cap. VI do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. item 6.

13 de dezembro de 2009

CRITICAS INFUNDADAS

Em Chicago, uma estação de TV transmitia, diariamente, da porta do principal cinema da cidade, um programa de entrevistas que duravam 15 minutos. Certa noite, o tempo integral do programa foi usado para entrevistar duas meninas, uma de 13 e a outra de 11 anos. Os telespectadores ficaram indignados com as frivolidades tratadas na entrevista. Afinal, o assunto girava em torno de como haviam passado as férias, se ajudavam a mãe nos trabalhos de casa, como iam os estudos etc. As pessoas que foram assistir ao programa no local da transmissão, não compreendiam porque os coordenadores deixaram as meninas monopolizar inteiramente os 15 minutos. Vários telespectadores, impacientes, chegaram a telefonar para a emissora para expressar seu descontentamento. Todavia, o motivo era muito justo e digno de aplausos. É que o pai das duas meninas, Joseph Fetzer, estava morrendo num leito do sanatório municipal de tuberculosos, onde fora internado 14 meses antes. Durante todo esse tempo não pudera receber a visita das filhas, devido ao rigoroso regulamento do hospital, que proíbe a entrada de menores de 16 anos na enfermaria dos casos graves. Sentindo a proximidade da morte, Joseph fez seu último pedido: Ver as filhas pela derradeira vez, lembrando ele próprias o recurso da televisão. Os diretores da TV concordaram imediatamente em entrevistar as meninas durante os 15 minutos, que seria a única chance para que aquele pai as pudesse contemplar e despedir-se, no isolamento de seu leito de morte. E foi graças aos corações generosos daqueles diretores, que Joseph teve a felicidade de ver, uma vez mais, as filhas queridas, um dia antes de falecer.
***
Hoje, quando percebemos os meios de comunicação, ávidos por faturar, e faturar cada vez mais, salvo raríssimas exceções, ficamos a imaginar se teria espaço para se fazer uma caridade desse porte. Há algum tempo atrás, um amigo procurou um periódico para que fosse veiculado um artigo de otimismo, com intuito de levar às pessoas uma mensagem de esperança, e o responsável lhe falou que não havia espaço nem tempo para isso, pois estava saindo, naquele exato momento, em busca de uma entrevista com um famoso bandido que havia recebido condicional. Infelizmente, poucas pessoas, pois são as pessoas que dirigem os veículos de comunicação, estão dispostas a divulgar o bem e o belo. A divulgação do bem não dá IBOPE, dizem. No entanto, quando a dor bate à nossa porta, não é ao mal que nós buscamos, mas a alguém que nos mostre uma luz no fim do túnel, uma chama de esperança, uma mensagem de otimismo...

História adaptada da revista Seleções do Reader’s Digest 12/1966

11 de dezembro de 2009

AMOR PERFEITO




Mulheres são rosas
Que sangram todos os meses
Homens boca de leão
Que rugem até para o vento...

Passam-se os anos
As rosas embranquecem
As bocas de leões
Perdem seus dentes...

Rosas atraem borboletas
E delas abelhas
Extraem o mel
(seu alimento)...

Boca de leão amadurece
Torna-se amor perfeito
É o tipo de amor
Que todas as rosas merecem...

Mário Feijó
09.12.09




Mário Feijó


10 de dezembro de 2009

COMEMORAÇÃO DO NATAL




Excelso Amigo! Neste dia de Natal, desejamos honrar-Te a celeste figura. Na nossa humana pequenez, idealizamos festejos profanos que, em vez de Te louvar, por vezes ultrajam a mensagem de que és portador. Celeste Menino! Fizeste-Te tão pequeno, para servir aos homens e nós nos cremos tão portadores de grandeza e sabedoria. Deixaste as estrelas e vieste viver entre nós. Nós vivemos na Terra e nos acreditamos detentores de todo poder. Chegamos a este Teu Natal um tanto cansados. Os dias que o antecederam foram demasiadamente exaustivos. Precisamos consultar preços, fazer contas e empréstimos, selecionar os amigos que nos receberão os mimos. E, relegamos, naturalmente, ao esquecimento aqueles que não se constituem benévolos aos nossos corações. Deixamos de lado os que não apreciamos, os que nos desapontaram e os que desejamos desagradar. Ah, Celeste Menino! Como estamos longe de comemorar-Te o natalício como devido. Esquecemos de Te convidar para os festejos e de preparar-Te a festa. Preparamo-la para nós somente. Os manjares serão aqueles que mais nos agradam. Também nos requisitaram tempo a escolha do melhor cardápio, a procura pelo melhor bufê. Até passamos algumas horas na cozinha. As bebidas foram selecionadas com todo esmero. É possível que algumas delas nos levem à inconsciência dos atos ou a cometer tolices. Os presentes serão para locupletar as nossas paixões... Endividamo-nos por muitos meses para que hoje os presentes fossem muitos. E tudo, tudo será para nós. Doce Menino! Quando aprenderemos que a festa deve ser Tua, e os Teus desejos é que deveriam ser satisfeitos? Por isso, Jesus, neste Natal, permite que despertemos. Permite que seja este Natal, o Natal da nossa consciência desperta. Então, Jesus, no próximo Natal, Tu serás o Excelso Homenageado, o Celeste Convidado que honraremos na intimidade do próprio coração. As luzes que verás, então, estarão palidamente representando a luminosidade das nossas mentes e corações, plenos de amor. Teremos a mesa farta, mas não somente a nossa. Teremos pensado na dos nossos irmãos. Teremos sorrisos, trocas de presentes, mas sobretudo muitos abraços e reconciliações. Recordaremos da mensagem do perdão, da humildade, da caridade. Ouvirás a música festiva do nosso lar acolhedor, onde estará a nossa família Te aguardando a honrosa visita. Jesus, como aguardaremos este Natal!


Redação do Momento Espírita.

9 de dezembro de 2009

QUERO SER TEU AMOR


QUERO SER TEU AMOR


Para tomar conta de ti em tua passagem
Ser a chave que abrirá a sela que te aprisiona
Nos calabouços mal cheirosos da vida

Quero ser teu sonho maior...
Ser uma muralha a te fortalecer
Protegendo-te das setas que voam em escuridão
Quero acordá-lo pela manhã com sinfonia
De pássaros silvestres

Quero ser teu amor...
Arrebatando-te em noites frias...
Ser o sol que aquece o teu coração
Ser a luz iluminando o teu dia
A fragrância que perfuma os teus sonhos
Ornar o teu céu de estrelas brilhantes
Na noite de luar se a brisa leve que vem de longe

Quero ser teu desejo no leito nupcial...
Caminhar ao teu lado por caminhos que andares
Ser tua estrada grandiosa que te conduz para o alto
Ser o elo que sustenta a tua felicidade


TUELA LIMA -POETISA RIO DE JANEIRO-RJ
07-12-2009

8 de dezembro de 2009

REFLEXÃO




Os sinais da matriz bimbalham alto


Conclamando os amantes da oração


Em pouco tempo e sem sobressalto


Eles desfilam em longa procissaõ.


Cismando fico, e num simples salto


Transponho o misticismo da razão


E chego a alcançar num sobressalto


A estratosfera da religião.


Ao atingir minh'alma a eternidade


com a sombria rejeição que flui


da dúvida de sua humanidade;


Duas coisas me enchem de amargor


Chegar ao mundo sem saber quem fui


Voltar ao nada sem saber quem sou!...



Waldir Rodrigues - Poeta Luzilandense

O AMOR





O AMOR - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

7 de dezembro de 2009

O GRITO


Uma boa palavra auxilia sempre. É lamentável se observar como estamos nos esquecendo de cultivar a boa palavra. Nosso atual vocabulário empobreceu-se muito e, face aos dissabores que nos envolvem a vida, primamos por expressar, pela fala, o mau humor e o desânimo que nos assola. Basta permaneçamos alguns minutos em uma fila de mercado, de ônibus, de banco, para logo se perceber o início das lamentações, das queixas e o desfilar do rosário da infelicidade. Quanta vez, em plena rua, alguém nos aborda, rosto transtornado a solicitar uma informação. Onde fica o Hospital, a Delegacia, o Posto de Saúde? De forma mecânica, indicamos a direção correta ou por vezes, alegando pressa, nos escusamos de perder tempo e desviamos da criatura. E, no entanto, é um ser que sofre e talvez bastasse uma palavra amiga, a gentileza de explicar em pormenores, de seguir com ele um trecho do caminho, para lhe amenizar a dor. Recordamos que, certa vez, um homem ouvia em um templo religioso as advertências do orador: "Falar é dom de Deus. Se abrimos a boca para dizer algo, saibamos dizer o melhor. É preciso aproveitar todas as oportunidades porque, às vezes, desajudamos quando podíamos ajudar." O homem saiu dali e agasalhou a mensagem. Alguns dias depois, nas funções de pedreiro-chefe inspecionava um grande recinto, em fase final de construção, junto com o engenheiro. O enorme salão estava muito bonito. Acabamento esmerado e pintura, primorosa. Vamos experimentar a acústica. - sugeriu o engenheiro. E, virando-se para o pedreiro, lhe pediu: Grite alguma coisa. Saulo, esse era o nome do pedreiro, recordou as lições de dias antes a respeito da palavra e enchendo os pulmões, bradou alto: Confia em Jesus! O som estava muito bem distribuído e agradou a ambos. Passados alguns minutos, adentra a sala um homem de cabelos em desalinho, perturbado, revólver à mão. Quem gritou? Pergunta. Quem mandou confiar em Jesus? Saulo é apontado e o homem a ele se dirige. Percebe-se-lhe no olhar a angústia e o desespero. Joga-se nos braços do pedreiro e chora: Obrigado, obrigado, amigo. E porque ninguém conseguisse entender o que estava acontecendo, explica: Eu estava no terreno da construção. Queria morrer. Estava encostando o cano do revólver ao ouvido, quando escutei seu apelo. Sustei o gesto. Estou desempregado há muito tempo e sou pai de oito filhos. Confiar em Jesus. Sim. Eu confiarei. É sempre importante falarmos o bem. Mesmo quando pensemos que estamos sós, pois em verdade não estamos. Feliz foi o poeta que disse que o homem tem na garganta uma flauta mágica que pode emitir as mais doces melodias. É a voz, talento divino que nos foi dado para o nosso progresso e crescimento dos nossos irmãos. * * * A guerra nasce da linguagem dos interesses criminosos, insatisfeitos. A língua guarda a centelha divina do verbo através do qual o homem pode erguer o monumento da paz. Assim, podemos utilizar a palavra para consolar e edificar os nossos irmãos.
Redação do Momento Espírita.

6 de dezembro de 2009

MENSAGEM

POR: Affonso Romano de Sant'Anna

"Às vezes, você perde vários poemas, porque sente uma frase, sente algo murmurado no seu espírito e não presta atenção porque está ocupado com os ruídos da vida. É necessário apurar o seu ouvido, ter a humildade de anotar a coisa mesmo quando ela não é muito boa. Pode, de repente, um texto meio nebuloso, meio esquisito, meio simplório demais, dar raiz a um poema posteriormente interessante."

3 de dezembro de 2009

SOB A SOMBRA DE UM CARVALHO


"Não há como substituir um velho companheiro. Nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantos momentos difíceis vividos juntos, tantas desavenças e reconciliações; tantas emoções compartilhadas. Não se reconstroem essas amizades. É inútil plantar um carvalho na esperança de poder, em breve, se abrigar sob a sua sombra." O belo pensamento é de Saint-Exupéry, em seu texto "Terra dos homens", e nos remete a uma temática deveras importante: a construção de nossas relações com os outros. Convidamos você, neste momento, a lembrar de um grande companheiro de sua vida: um velho companheiro, um amigo, um pai, uma mãe, um irmão, irmã, etc. Passe uma revista rápida pelos anos de convívio e tente perceber como esta relação se formou e se consolidou ao longo do tempo. Lembre-se das tantas emoções compartilhadas, dos momentos felizes e dos momentos tristes. Certamente a cumplicidade, a amizade, o devotamento, não surgiram prontos, acabados. Certamente a confiança e o profundo apreço não nasceram repentinamente. Muito trabalho foi empregado aí, entre esses dois mundos de tantas afinidades, mas também de tantas diferenças. O carvalho plantado precisou de rega constante, esperançosa. Precisou de tempo, de sol e de chuva. Ambos hoje se abrigam sob sua sombra, depois de anos e mais anos de investimento mútuo. Assim, parece simples de se entender a afirmação de Exupéry, de que é inútil plantar um carvalho na esperança de, logo em seguida, imediatamente após o plantio, já poder desfrutar de sua sombra. A árvore leva tempo para se tornar frondosa. Porém, o tempo apenas não é suficiente. Que adiantam cem anos de solo infértil, de estiagem, de falta de sol? Não, um carvalho não cresce sem o cuidado da natureza, assim como uma relação de companheirismo não sobrevive se não for cuidada de perto, todos os dias. Por isso, se desejamos poder deitar e curtir a sombra de um belo carvalho, lembremos de tratá-lo todos os dias com toda nossa dedicação. O velho e bom companheiro de amanhã poderá ser o irmão das lutas de hoje, aquele com quem temos dificuldades, mas que temos tolerado, compreendido. O carvalho moço ainda tem pouca e vacilante sombra. Ora está aqui, ora está acolá, sacudido pelos ventos das tempestades. O carvalho moço ainda não se vê árvore, não se crê capaz de quebrar a luz do sol gritante. Mas se bem cuidado vai se fortalecendo, agigantando a copa, e se tornando frondosa árvore. O velho e bom companheiro de amanhã é o amigo que nos estende a mão hoje, e não permanece muito tempo na espera de outra que o ampare.
* * * "Velho companheiro, de mil aventuras;
Quantas experiências, vivemos os dois.
... Coisas que me ensinaste, para nada serviam...
Mas bem me dizias: servirão depois.
Sempre me aconselhaste: na justa medida,
Vai gozando a vida... Sem nunca esqueceres,
De praticar o bem. Porque a gente só goza,
na justa medida, Se ajudarmos outros, a gozar também."

Redação do Momento Espírita com base em citação de Saint-Exupéry, do livro "Felicidade, Amor e Amizade", ed. Sextante e de trecho de poema de Olímpio C. Neves, poeta de Luanda.