7 de fevereiro de 2026

A HOMILIA DE DOM ALANO - LUZ E UNÇÃO NA COMUNIDADE


Entre a Palavra e o Testemunho - Marco Aurélio, um Amigo que Inspira pela Fé e pela Presença.

Crônica Reflexiva © Alberto Araújo 

O sino da igreja soou às 18h em ponto, anunciando não apenas o início da missa, mas também a abertura de um espaço sagrado onde o tempo parece suspenso. Sábado, 07 de fevereiro, e eu, acompanhado de minha Shirley, nos dirigimos à Paróquia e Santuário São Judas Tadeu. A celebração seria presidida por Dom Frei Alano Maria Pena, Arcebispo Emérito, cuja presença sempre traz consigo uma aura de serenidade e unção. 

Dom Alano não é apenas um celebrante; é um pastor que carrega consigo a experiência de uma vida dedicada ao Evangelho. Suas homilias têm o dom de confortar, de tocar o íntimo das pessoas, como se cada palavra fosse cuidadosamente escolhida para se encaixar na necessidade de cada coração presente. Há algo de especial em sua voz: firme, mas suave; profunda, mas acessível. É como se ele conseguisse traduzir o mistério divino em gestos humanos, em palavras que se tornam alimento espiritual.

O canto de entrada, “Deixa a luz do Céu entrar” já preparava o espírito para o que viria. O ato penitencial lembrava que o Senhor veio salvar os arrependidos, e o hino de louvor ecoava em uníssono: “Glória a Deus nas alturas”. Cada parte da liturgia se entrelaçou com a homilia que veio como um fio contínuo de fé e esperança. 

As leituras do dia falavam de partilha e solidariedade. Isaías anunciava que uma luz brilha nas trevas para os justos, e São Paulo, em sua carta aos Coríntios, reforçava a importância da união e da vida em comunidade. O Evangelho, por sua vez, trazia a metáfora que sempre nos desafia: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo”.

Dom Alano, ao comentar essas passagens, não se limitou a explicá-las. Ele as viveu diante de nós. Sua homilia foi um convite à prática concreta da fé: ser sal que dá sabor à vida dos outros, ser luz que ilumina caminhos obscurecidos pela dor ou pela indiferença. Não havia espaço para teorias abstratas; tudo era colocado no chão da vida, na realidade cotidiana de cada fiel. 

O que torna suas homilias tão especiais é a unção que as permeia. Não é apenas eloquência, não é apenas conhecimento teológico. É a presença do Espírito que se manifesta em cada palavra. Há quem diga que a verdadeira homilia não é aquela que impressiona pela retórica, mas aquela que transforma silenciosamente quem a escuta. E é exatamente isso que acontece quando Dom Alano fala: sentimos que algo se move dentro de nós, que somos chamados a ser melhores, a viver com mais amor e gratidão.

Quando o credo foi proclamado e a oração da comunidade elevou nossas súplicas, havia um sentimento coletivo de paz. Não era apenas a missa de um sábado qualquer; era um encontro com o sagrado, mediado por alguém que carrega consigo a missão de ser presença viva de Cristo entre nós.

Um momento que merece destaque foi o ofertório, acompanhado pelo canto “Pão e Vinho... é teu esse milagre de amor”. Ali, cada gesto era carregado de significado. A patena, aquela pequena bandeja que acompanha o ministro da Eucaristia durante a comunhão, foi segurada por Marco Aurélio, amigo querido e homem de fé.

Marco Aurélio é um amigo daqueles que se tornou parte da nossa amizade e da própria paisagem da Igreja. Sempre que chegamos à Paróquia São Judas Tadeu aos sábado, lá está ele, sentado em silêncio, em atitude de oração, mas pronto para nos cumprimentar com simpatia e uma palavra afetuosa. Essa graciosa manifestação de carinho é tão rica que já faz parte da nossa experiência de chegar à Igreja. Ele nos confessou, em sua simplicidade, que nos admira muito, que nos considera um casal simpático. E nós, com igual verdade, respondemos que a recíproca é plenamente verdadeira: gostamos muito dele também, e sua presença nos alegra. 

Ele nos contou que sua ligação com a paróquia vem de longa data, desde os tempos em que a Igreja São Judas ainda estava sob a direção do Padre Abílio. 

Naquela época, o templo se localizava onde hoje funciona o Restaurante Tenore, em Icaraí. Marco Aurélio era levado pela mãe, ministra da Eucaristia e mulher dedicada aos necessitados. Foi dela que herdou não apenas o costume de frequentar as missas, mas também a devoção sincera e o compromisso com a comunidade. 

E até hoje, desde quando a Igreja mudou para a Rua Ary Parreiras, o diretor era o Wilde Padre Ricardo. Atualmente, o coordenador é o Padre Carmine e coauxiliado por Padre Alex e auxiliado às vezes pelo Padre André, que ele continuou a frequentar a Igreja. 

O que torna sua presença ainda mais admirável é o fato de morar na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. A distância é grande, mas isso nunca foi obstáculo. Ele consegue chegar a tempo para participar das missas aos sábados, demonstrando que a fé, quando é verdadeira, vence qualquer barreira geográfica. Esse esforço revela não apenas disciplina, mas amor profundo pela comunidade e pelo altar de São Judas Tadeu.

Sua história é um testemunho daquilo que Dom Alano sempre nos recorda em suas homilias: a fé se manifesta em gestos concretos, em atitudes de entrega e solidariedade. Marco Aurélio é parte desse mosaico que dá vida à Igreja, e sua trajetória mostra como a comunidade cristã é feita de pessoas reais, com histórias que se entrelaçam e formam um tecido de fé. 

Ao final da missa, Dom Alano nos presenteou com uma reflexão que ressoou profundamente em todos os presentes. Ele nos lembrou de que nossa fé não deve se limitar a imagens, fotografias ou estátuas, mas sim ao encontro vivo e verdadeiro com Jesus Cristo. É diante Dele, como pessoa e divindade, que devemos nos apresentar, entregando nossa alma e nosso coração aos seus ensinamentos e aos seus cuidados. Essa entrega não é apenas um gesto simbólico, mas uma atitude diária de confiança e amor, que nos convida a viver em comunhão com o Senhor.

Suas palavras foram como um chamado à autenticidade da fé: não basta admirar representações externas, é preciso mergulhar na essência do Evangelho e deixar que Cristo molde nossa vida. Assim, cada fiel saiu da celebração com a certeza de que a verdadeira devoção nasce do coração e se traduz em gestos concretos de amor e entrega. 

E assim, ao deixar a igreja, carregávamos conosco não apenas a lembrança de uma celebração, mas a certeza de que fomos tocados por algo maior. A homilia de Dom Alano não terminou com a missa; ela continua em cada atitude nossa, em cada gesto de amor que decidimos praticar.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

07 de fevereiro de 2026.





 

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