12 de abril de 2013

ATÉ HOJE EU NÃO SEI... POR SÍLVIA TANI

 
 

Até hoje eu não sei...

 

Não sei como um ser humano pode resistir à perda de um filho. É antinatural, é cruel, é inexplicável. Quanto mais conheço gente que passou por isso, mais me dou conta da minha pequenez e do quanto é preciso ser realmente forte para, como dizia Drummond, ter “os ombros que suportam o mundo”. É o tipo de sofrimento impossível de ser disfarçado ou relativizado. É como me disse certa vez uma mãe que perdeu o filho com leucemia, “a dor de uma amputação. Você não tem mais aquela perna e aprenderá a caminhar sem ela. Mas a caminhada nunca mais será a mesma e, muitas vezes, o membro que não está lá vai latejar”. Ou então, como me disse uma mãe há um ano, num encontro que tivemos: “Quem perde o marido fica viúva, quem perde a mãe fica órfã, mas quem perde o filho fica o quê?”, me questionava ela, numa angústia que saltava aos olhos.  Não sei que nome se dá a essa dor! Não sei o quê fazer dela, o que apreender dessa experiência. O que tenho presenciado no convívio com pais e mães que perderam seus filhos é que essa é a maior prova de desapego à qual podemos ser submetidos. Desapego não apenas do ser gerado, amado e acalentado, mas de uma vida que terá de ser completamente reinventada.


A dureza da vida que se conhecia até então, as pequenezas que nos faziam sofrer, os sofrimentos que pareciam tão grandes e intransponíveis tornam-se todos, de repente, pequenos e irrisórios. Há que se aprender que o amor não se encontra mais do lado de fora, no semblante do filho querido, mas do lado de dentro, no coração onde ele estará para sempre guardado. É preciso coragem redobrada para entregar à vida o pedaço que ela nos tomou de volta. É necessário ter força extrema para enfrentar a falta mais dolorida que existe, aquela que Chico Buarque cantou nos versos: “Oh, pedaço de mim/ Oh, metade arrancada de mim/ Leva o vulto teu/ Que a saudade é o revés de um parto/ A saudade é arrumar o quarto/ Do filho que já morreu... ”   


 

Saudades de você, meu querido e eterno menino...


Sílvia Tani (Santa Rosa)

Niterói, 08/04/2013
 
                                                                
                                                 
 
Saudades de você, minha querida e eterna mãezinha...
 

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