10 de janeiro de 2012

APRECIEM AS POESIAS DE GILSON RANGEL ROLIM

APRECIEM AS POESIAS DE
GILSON RANGEL ROLIM





VIDA (I)



A infância, o medo,

a juventude,

o tempo, o sol,

a luz, o vento,

a dor, a morte,

a finitude,

o sonho, o espaço,

o pensamento,

o choro, a queixa,

a enfermidade,

o sofrimento,

a tibieza,

o riso, o canto,

a melodia,

o abraço, o beijo,

a gentileza,

a flor, a cor,

a fantasia,

o céu, o mar,

o barco à vela,

o rio, o lago,

a mata, o verde,

a passarada,

o pescador,

a trovoada,

a vida alegre,

a rude vida,

a noite fria,

o cobertor,

o corpo quente,

o doce amor,

o meigo olhar,

o coração,

a simpatia,

a indecisão,

o triste aceno,

a despedida

e uma saudade.

E assim se faz

cada momento

a vida, o tempo,

a eternidade.





 

VIDA (II)



A infância, o medo, a juventude,

o tempo, o sol, a luz, o vento,

a dor, a morte, a finitude,

o sonho, o espaço, o pensamento.



O sofrimento, a tibieza,

o riso, o canto, a melodia,

o abraço, o beijo, a gentileza,

a flor, a cor, a fantasia.



A chuva forte, a trovoada,

o céu, o mar, o barco à vela,

o rio, o lago, a mata, o verde,

a flor do ipê, a aquarela.



O doce amor, o meigo olhar,

o coração, a simpatia,

o cobertor, o corpo quente,

o leito humilde, a noite fria.



A indecisão, o triste aceno,

a despedida e uma saudade.

E assim se faz cada momento

a vida, o tempo, a eternidade.





*****



Um apanhado de emoções

e sentimentos

a fazer com que a vida

seja o que é:

Amor, paixão, desamor,

a morte no meio.

Vitórias, sucessos,

temor do fracasso,

a dureza da luta,

o êxito, enfim.

Sementes plantadas,

o ocaso, o cansaço.

E quando se vê,

o tempo passou.







*****


Talvez eu repita demais

ser um grão da Eternidade;

penso que exagero:

sou apenas um átomo

do átomo desse grão.

Mas penso, vejo e sinto

que tudo é real,

mesmo o invisível.

Pobre do mundo

sem essa percepção!

 

*****


Igualdade ― alcançá-la é utopia,

mas buscá-la não é.

Como conseguir? Não sei.

Mas sei que é preciso mudar,

é preciso fazer diferente

do que tem sido.

É preciso que se chegue

a um mundo capaz

de reduzir as desigualdades.

Pois um desfile não se faz

com uns poucos, garbosos,

indo à frente;

e muitos, maltrapilhos,

indo atrás.



*****

 

O corpo sofre

os pecados da alma.

A alma sofre

os pecados do corpo.

E os dois sofrem,

solidariamente.

Assim tem sido

desde que o mundo é mundo.

 
*****

 
Um quadro mais que rude,

miséria em plenitude.

Trapos humanos,

jovens e velhos,

homens, mulheres,

crianças seminuas,

largadas nas ruas.

Retrato sem retoque

de um cancro social.


*****

 

Não há maior mistério do que o Espaço,

talvez até maior que a própria Morte.

Daí porque não haja quem suporte

a ideia de que a Fé seja um fracasso.



Não se faça da tese estardalhaço,

pois causa controvérsia de tal porte,

que ao defendê-la dito a minha sorte;

temo causar a mim certo embaraço.



O Tempo, que do Espaço é dependente,

e intriga todos nós que somos gente,

é mistério, também, por sua vez.



Eu dou graças, então por minha Fé.

que faz a minha vida ser o que é,

e louvo o Criador que assim me fez.





CORDA BAMBA (I)



Viver é equilibrar-se

sobre o fio invisível

de um mistério insondável;

é aceitar-se incapaz

de furar o bloqueio

envolvente da vida.

Viver é conformar-se

em ser personagem

de uma peça sem fim;

é juntar-se ao elenco

no imenso cenário

no qual atuamos.

Viver é ver-se integrado

à grande engrenagem

da qual somos peça;

é, enfim, não ficar

indiferente ao que vê

nem alheio ao que sente.





CORDA BAMBA (II)


 
Equilibrar-se sobre o fio invisível

de um mistério insondável;

aceitar-se incapaz de furar o bloqueio

envolvente da vida;

conformar-se em ser personagem comum

de uma peça sem fim,

no imenso cenário

em cujo elenco todos nós atuamos;

ver-se integrado à grande engrenagem

da qual somos peça.

Enfim, não ficar indiferente ao que vê

nem alheio ao que sente.

Viver é apenas isso




Gerações incontáveis

de gente e de bichos

em levas a se repetirem

num cenário quase o mesmo

vieram antes de nós.

Gerações incontáveis

também de gente e de bichos

igualmente em levas

num cenário quase igual

hão de vir depois de nós.

E nós, quem somos afinal?

Atores e figurantes

de uma peça que não se acaba;

passageiros e caronas

numa viagem que não tem fim.

Ah, esse infinito

que assusta se nele pensamos,

que pouco importa

se dele nos esquecemos.

Ah, esse infinito,

roda gigante da Eternidade.




Sinta a beleza que há no olhar

de uma criança

e aprenda esperança,

aprenda esperança.



Criança, amanhecer da vida,

ponto de partida do existir;

ensaio e aprendizado,

idade da inocência

véspera do que há de vir.









 Gilson Rangel Rolim – Escritor, poeta, contador, acadêmico. Nasceu em 13 de abril de 1929, na cidade de Mimoso do Sul - ES, filho de Lauro de Azevedo Rolim e Maria Izabel Rangel Rolim. Deixou a cidade natal aos dois anos, seguindo para a localidade de Chave de Santa Maria, no município de Campos. Em 1934 veio para Niterói, onde permaneceu até 1939. De janeiro de 1940 a agosto de 1943 residiu em Macaé, período marcante de sua vida: a pré-adolescência. Deixando Macaé, por falecimento de sua mãe, retornou a Niterói. Cursava o terceiro ano ginasial no Ginásio Municipal de Macaé quando da mudança. Já na antiga capital fluminense, completou o ginasial no Colégio Plínio Leite. Em 1945, as circunstâncias levaram-no a trabalhar de dia e estudar à noite; mudou-se, então, para o Rio, capital federal na época. Após três anos na Academia de Comércio do Rio de Janeiro (Cândido Mendes), obteve o grau de Contador, equivalente, hoje, ao de Ciências Contábeis. Em setembro de 1947 voltou a residir em Niterói, permanecendo até hoje.




Vida Literária

Em 1954, no Diário do Povo, escreve as primeiras crônicas de cinema; foram, apenas, alguns meses. Em setembro de 1961, a convite de Carlos Couto, passa a colaborar com o semanário PRAIA GRANDE EM REVISTA, como crítico cinematográfico, atividade que manteve durante o pouco mais de um ano que teve o PGR. Em 1965 escreveu o poema O GRITO o qual, devidamente traduzido para o Inglês, foi enviado ao Pastor Martin Luther King Junior. Em carta pessoal, que o autor guarda com carinho, o grande líder agradeceu essa colaboração a sua luta. Em 1966 e 1967 teve seus primeiros poemas publicados em O Fluminense, na seção Prosa & Verso, então sob a direção de Sávio Soares de Sousa. Em 1968, é selecionado para a final do Festival Fluminense da Canção (O Brasil Canta no Rio), transmitido pela TV Excelsior, com a canção Eu Andei Pelo Mundo, musicada por Frederico Leite Pereira; o resultado final deu-lhe o oitavo lugar entre as trinta e seis finalistas. Seus trabalhos literários vão sendo guardados até que, em 1988, sob o patrocínio da empresa NITRIFLEX, tem publicado o livro ALGUNS VERSOS, ALGUMA POESIA, que teve boa receptividade entre os críticos de nossa cidade. Depois desse, e até que viesse a publicar O TEMPO NEM ME VIU PASSAR, em 2004, publicou artesanalmente com divulgação em âmbito restrito, os seguintes livros: Mais ALGUNS VERSOS, ALGUMA POESIA Talvez (1991), PROSA, VERSOS & ETC (1997), Um Pouco Mais de PROSA, VERSOS & ETC (1999) e CONTOS, VERSOS & OUTROS ESCRITOS (2002). Em 2005, lançou o livro REVIVENDO MEUS PASSOS (Retalhos de Memória). Em maio de 2006, lançou o livro DOIS MOMENTOS, de prosa e versos, com prefácios de Sávio Soares de Sousa para os versos, e de Antonio Soares para a prosa. Fez acompanhar este livro de uma coletânea de versos que intitulou VERSOS A GRANEL. Ainda em 2006, escreveu uma sinopse do famoso romance de José Cândido de Caravalho, O Coronel e o lobisomem. Em 2008, publicou UM SIMPLES CURSO D’ÁGUA, em 2009, ESTAÇÃO OITENTA e, em 2010, NA POEIRA DO TEMPO, e lançou recentemente o livro “Puxando Conversa”.Além de trabalhos literários, escreveu um pequeno livro profissional intitulado ELEMENTOS BÁSICOS DE CONTABILIDADE PARA PROFISSIONAIS DE OUTRAS ÁREAS. É acadêmico titular da Academia Niteroiense de Letras, desde a posse em 12 de setembro de 2004. É também membro da Academia Brasileira de Literatura desde 2008. Paralelamente a essa atividade literária, e intimamente ligada a ela, produziu composições musicais de caráter popular (letra e música), em alguns casos em parceria com seu professor, o consagrado e saudoso músico Sylvio Vianna, seu amigo e professor. Em 2006, fez palestra sobre o Centro de Niterói, dentro do VIII Curso de História de Niterói, do IHGN. Muitos de seus trabalhos tem sido publicados no jornal UNIDADE, do qual é assíduo colaborador.




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