16 de dezembro de 2009

CASOS E DESCASOS


Casos e descasos

Com mãos e pés cortados não me sinto!

Mas me sinto infestado pelo absinto

Com cheiro de hélio, vômito e patê!

Suflê, não! Suflê tem cheiro? Bem, doce

É ...e bom, verdade venha sempre, infrene!

Mas morrer por sushi e pouca higiene?

E assim, antes de ouvir: – É o Fim, danou-se...

Fogo ao disco furado: o Mundo é vasto!

Cd? Nem pensar: Mancha a folha e o pasto!

Não! O "casto" calendário quis dizer...

Versos que, de tão "fofos", são macios!

Por isto, amigos, não sigam o exemplo

De mim que a mim em mar bravio contemplo

(Se é modelo quem vive de elogios)! a 03/02/09




Luciano Almeida
Publicado no Recanto das Letras


em 04/02/2009Código do texto: T1421353



Poeta do Piauí morre afogado em balneário em Caxias(MA)
Luciano Almeida era estudante de Letras da Ufpi. Ele estava com a namorada e um casal de amigos.
Um estudante de Letras da Universidade Federal do Piauí(Ufpi) morreu afogado na madrugada deste domingo(8), no município de Caxias(MA). Luciano Roberto Almeida, 30 anos, estava na companhia da namorada e de um casal de amigos, no banho Canaã, situado no povoado Brejinho.
Segundo informações colhidas junto ao 1º Distrito Policial da cidade, as quatro pessoas iriam passar a noite no local. Luciano Almeida logo entrou na água e afogou-se. De acordo com a polícia, os amigos fizeram uso de bebida alcoólica, o que pode ter provocado a morte.

A família da vítima esteve no início da tarde de hoje no município para prestar queixar e solicitar a remoção do corpo. Ele será trazido para Teresina e velado no bairro Mocambinho, na zona Norte, onde o rapaz residia.

Luciano Almeida cursava Letras Inglês e Português na Ufpi. O estudante se dedicava à produção de textos literários e mantinha uma página de poesias no site nacional UOL.




Foto: Arquivo Pessoal





PERDIÇÃO


Perdição



Por mares de sargaços

e enganos perdi-me na rota

de estranhos portulanos

feitos por arcanos d’antanho.

Por causa de lábios

que falavam de amor

seguindo incertos astrolábios

soçobrei nas tormentas

de algum cabo Bojador.

Egresso de Sagres

dancei a Dança dos Sabres

no mapa de meu destino.

Nas garras da ventania

joguei um jogo de morte

em que tudo se perdia.

No derradeiro naufrágio

encontrei enigmas e presságios

nos búzios que no abismo havia.

E tudo se findou num veleiro encalhado

em mar de absoluta calmaria.


ELMAR CARVALHO - POETA PIAUIENSE

HOMEM AZUL NUM RIO MAGRO


POEMA DO LIVRO: A PROFISSÃO DOS PEIXES,

3ª EDIÇÃO, REVISTA E DIMINUÍDA
HOMEM AZUL NUM RIO MAGRO

LIDA COM EMBARCAÇÃO QUEBRADA

Rubervam Du Nascimento





comemos pão

à mesa

comemos depois

a mesa

bebemos rios

de dentes

vida se assusta

com tanta ternura

MENSAGEM DE DALAI LAMA

"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver!"
Dalai Lama

PENTAGRAMA DE NATAL




PENTAGRAMA DE NATAL


FELIZ NATAL!
PRÓSPERO ANO DE 2010!



Quando o vento sopra as estrelas

sopra os frutos

tudo o que se guarda

se move

pois quem traçou o caminho dos ventos

também deixou seus rastros

escritos na via das estrelas

e um pentagrama de gaivotas...

Assim como é em cima

é embaixo diz a Lei!

Desde a primeira pedra te espero

à beira do rio onde nasce o milho

lá onde se multiplicam as palavras

e os peixes de sangue e jade

e a aurora esparge o pólenA

pedra foi revolvida

Ele é nascido todos os dias...



É NATAL!



Lillian Reinhardt - poetisa

http://www.facebook.com/friends/?ref=tn#/notes/lilian-reinhardt/um-pentagrama-de-natal/237233266275

JESUS SABE






Quantas lágrimas você já verteu a sós, sem ninguém para lhe estender um ombro amigo, sem uma palavra de alento, sem nenhum consolo... Considere, no entanto, que Jesus sabe... Quando você descobre que seus amigos, nos quais você depositava a mais sincera confiança, lhe traem, e a amargura lhe visita a alma dolorida, no silêncio das horas... Jesus sabe. Jesus conhece os mais secretos pensamentos e sentimentos de cada uma das ovelhas que o Pai Lhe confiou. Jesus sabe das noites mal-dormidas, quando você se debate em busca de soluções para os problemas que lhe preocupam a mente... Das dores que lhe dilaceram a alma, quando a solidão parece ser sua única companheira fiel, Jesus sabe... Dos imensos obstáculos que você já superou, sem nenhuma estrela por testemunha, Jesus sabe... Da sua sede de justiça, Jesus sabe. Da sua luta para ser cada dia melhor que o dia anterior, Jesus sabe. Jesus, Esse Irmão Maior, a quem o Pai confiou a Humanidade terrestre, conhece cada um dos Seus tutelados. Se você sofreu algum tipo de calúnia, de injustiça, alguma punição imerecida, Jesus sabe. Jesus conhece as suas horas de vigília ao lado do leito de um familiar enfermo... Sabe da sua dedicação aos filhos, tantas vezes ingratos, ao esposo ou à esposa problemática. Jesus sabe dos seus auto-enfrentamentos para vencer os próprios vícios e as tendências infelizes. Jesus conhece suas fraquezas, seus medos, suas chagas abertas, suas inseguranças... Jesus sabe das muitas vezes que você persiste em caminhar, mesmo com os pés sangrando... Jesus sabe o peso da cruz que você leva sobre os ombros... Jesus sabe quantas gotas de lágrimas você já derramou por compaixão, sofrendo a dor de outros corações... Jesus conhece suas muitas renúncias... Suas amarguras não confessadas... Jesus sabe das esperanças que você já distribuiu, dos alentos que você ofertou, das horas que dedicou voluntariamente a benefício de alguém... Jesus conhece suas ações nobres e percebe o desdém daqueles que só notam e ressaltam suas falhas. Jesus entende seu coração dorido de saudade, dilacerado pela solidão, amargurado pelas dificuldades que, às vezes, parecem intransponíveis... Jesus sabe que todas as situações pelas quais você passa, são para seu aprendizado e para seu crescimento na direção da grande luz. O Sublime Pastor conhece cada uma de Suas ovelhas e sabe o que se passa com cada uma delas. Por isso Ele mesmo assegurou: Nunca estareis a sós. Jesus é o Divino Amigo que nos segue os passos desde sempre e para sempre. E nos momentos em que suas forças quiserem abandoná-lo, aconchegue-se junto ao Seu coração amoroso e ouça Sua voz a lhe dizer, com imensa ternura: Meu filho trace o seu sulco; recomece no dia seguinte o afanoso labor da véspera. O trabalho das suas mãos lhe fornece ao corpo o pão terrestre; sua alma, porém, não está esquecida. E eu, o jardineiro divino, a cultivo no silêncio dos seus pensamentos. Quando soar a hora do repouso e a trama da vida se lhe escapar das mãos e seus olhos se fecharem para a luz, sentirá que surge em você, e germina, a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os seus suores e misérias formam o tesouro que o tornará rico nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas... E onde o mais desnudo dentre vós será talvez o mais resplandecente.


Redação do Momento Espírita, com base no item 6, do cap. VI do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. item 6.

13 de dezembro de 2009

CRITICAS INFUNDADAS

Em Chicago, uma estação de TV transmitia, diariamente, da porta do principal cinema da cidade, um programa de entrevistas que duravam 15 minutos. Certa noite, o tempo integral do programa foi usado para entrevistar duas meninas, uma de 13 e a outra de 11 anos. Os telespectadores ficaram indignados com as frivolidades tratadas na entrevista. Afinal, o assunto girava em torno de como haviam passado as férias, se ajudavam a mãe nos trabalhos de casa, como iam os estudos etc. As pessoas que foram assistir ao programa no local da transmissão, não compreendiam porque os coordenadores deixaram as meninas monopolizar inteiramente os 15 minutos. Vários telespectadores, impacientes, chegaram a telefonar para a emissora para expressar seu descontentamento. Todavia, o motivo era muito justo e digno de aplausos. É que o pai das duas meninas, Joseph Fetzer, estava morrendo num leito do sanatório municipal de tuberculosos, onde fora internado 14 meses antes. Durante todo esse tempo não pudera receber a visita das filhas, devido ao rigoroso regulamento do hospital, que proíbe a entrada de menores de 16 anos na enfermaria dos casos graves. Sentindo a proximidade da morte, Joseph fez seu último pedido: Ver as filhas pela derradeira vez, lembrando ele próprias o recurso da televisão. Os diretores da TV concordaram imediatamente em entrevistar as meninas durante os 15 minutos, que seria a única chance para que aquele pai as pudesse contemplar e despedir-se, no isolamento de seu leito de morte. E foi graças aos corações generosos daqueles diretores, que Joseph teve a felicidade de ver, uma vez mais, as filhas queridas, um dia antes de falecer.
***
Hoje, quando percebemos os meios de comunicação, ávidos por faturar, e faturar cada vez mais, salvo raríssimas exceções, ficamos a imaginar se teria espaço para se fazer uma caridade desse porte. Há algum tempo atrás, um amigo procurou um periódico para que fosse veiculado um artigo de otimismo, com intuito de levar às pessoas uma mensagem de esperança, e o responsável lhe falou que não havia espaço nem tempo para isso, pois estava saindo, naquele exato momento, em busca de uma entrevista com um famoso bandido que havia recebido condicional. Infelizmente, poucas pessoas, pois são as pessoas que dirigem os veículos de comunicação, estão dispostas a divulgar o bem e o belo. A divulgação do bem não dá IBOPE, dizem. No entanto, quando a dor bate à nossa porta, não é ao mal que nós buscamos, mas a alguém que nos mostre uma luz no fim do túnel, uma chama de esperança, uma mensagem de otimismo...

História adaptada da revista Seleções do Reader’s Digest 12/1966

11 de dezembro de 2009

AMOR PERFEITO




Mulheres são rosas
Que sangram todos os meses
Homens boca de leão
Que rugem até para o vento...

Passam-se os anos
As rosas embranquecem
As bocas de leões
Perdem seus dentes...

Rosas atraem borboletas
E delas abelhas
Extraem o mel
(seu alimento)...

Boca de leão amadurece
Torna-se amor perfeito
É o tipo de amor
Que todas as rosas merecem...

Mário Feijó
09.12.09




Mário Feijó


10 de dezembro de 2009

COMEMORAÇÃO DO NATAL




Excelso Amigo! Neste dia de Natal, desejamos honrar-Te a celeste figura. Na nossa humana pequenez, idealizamos festejos profanos que, em vez de Te louvar, por vezes ultrajam a mensagem de que és portador. Celeste Menino! Fizeste-Te tão pequeno, para servir aos homens e nós nos cremos tão portadores de grandeza e sabedoria. Deixaste as estrelas e vieste viver entre nós. Nós vivemos na Terra e nos acreditamos detentores de todo poder. Chegamos a este Teu Natal um tanto cansados. Os dias que o antecederam foram demasiadamente exaustivos. Precisamos consultar preços, fazer contas e empréstimos, selecionar os amigos que nos receberão os mimos. E, relegamos, naturalmente, ao esquecimento aqueles que não se constituem benévolos aos nossos corações. Deixamos de lado os que não apreciamos, os que nos desapontaram e os que desejamos desagradar. Ah, Celeste Menino! Como estamos longe de comemorar-Te o natalício como devido. Esquecemos de Te convidar para os festejos e de preparar-Te a festa. Preparamo-la para nós somente. Os manjares serão aqueles que mais nos agradam. Também nos requisitaram tempo a escolha do melhor cardápio, a procura pelo melhor bufê. Até passamos algumas horas na cozinha. As bebidas foram selecionadas com todo esmero. É possível que algumas delas nos levem à inconsciência dos atos ou a cometer tolices. Os presentes serão para locupletar as nossas paixões... Endividamo-nos por muitos meses para que hoje os presentes fossem muitos. E tudo, tudo será para nós. Doce Menino! Quando aprenderemos que a festa deve ser Tua, e os Teus desejos é que deveriam ser satisfeitos? Por isso, Jesus, neste Natal, permite que despertemos. Permite que seja este Natal, o Natal da nossa consciência desperta. Então, Jesus, no próximo Natal, Tu serás o Excelso Homenageado, o Celeste Convidado que honraremos na intimidade do próprio coração. As luzes que verás, então, estarão palidamente representando a luminosidade das nossas mentes e corações, plenos de amor. Teremos a mesa farta, mas não somente a nossa. Teremos pensado na dos nossos irmãos. Teremos sorrisos, trocas de presentes, mas sobretudo muitos abraços e reconciliações. Recordaremos da mensagem do perdão, da humildade, da caridade. Ouvirás a música festiva do nosso lar acolhedor, onde estará a nossa família Te aguardando a honrosa visita. Jesus, como aguardaremos este Natal!


Redação do Momento Espírita.

9 de dezembro de 2009

QUERO SER TEU AMOR


QUERO SER TEU AMOR


Para tomar conta de ti em tua passagem
Ser a chave que abrirá a sela que te aprisiona
Nos calabouços mal cheirosos da vida

Quero ser teu sonho maior...
Ser uma muralha a te fortalecer
Protegendo-te das setas que voam em escuridão
Quero acordá-lo pela manhã com sinfonia
De pássaros silvestres

Quero ser teu amor...
Arrebatando-te em noites frias...
Ser o sol que aquece o teu coração
Ser a luz iluminando o teu dia
A fragrância que perfuma os teus sonhos
Ornar o teu céu de estrelas brilhantes
Na noite de luar se a brisa leve que vem de longe

Quero ser teu desejo no leito nupcial...
Caminhar ao teu lado por caminhos que andares
Ser tua estrada grandiosa que te conduz para o alto
Ser o elo que sustenta a tua felicidade


TUELA LIMA -POETISA RIO DE JANEIRO-RJ
07-12-2009

8 de dezembro de 2009

REFLEXÃO




Os sinais da matriz bimbalham alto


Conclamando os amantes da oração


Em pouco tempo e sem sobressalto


Eles desfilam em longa procissaõ.


Cismando fico, e num simples salto


Transponho o misticismo da razão


E chego a alcançar num sobressalto


A estratosfera da religião.


Ao atingir minh'alma a eternidade


com a sombria rejeição que flui


da dúvida de sua humanidade;


Duas coisas me enchem de amargor


Chegar ao mundo sem saber quem fui


Voltar ao nada sem saber quem sou!...



Waldir Rodrigues - Poeta Luzilandense

O AMOR





O AMOR - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

7 de dezembro de 2009

O GRITO


Uma boa palavra auxilia sempre. É lamentável se observar como estamos nos esquecendo de cultivar a boa palavra. Nosso atual vocabulário empobreceu-se muito e, face aos dissabores que nos envolvem a vida, primamos por expressar, pela fala, o mau humor e o desânimo que nos assola. Basta permaneçamos alguns minutos em uma fila de mercado, de ônibus, de banco, para logo se perceber o início das lamentações, das queixas e o desfilar do rosário da infelicidade. Quanta vez, em plena rua, alguém nos aborda, rosto transtornado a solicitar uma informação. Onde fica o Hospital, a Delegacia, o Posto de Saúde? De forma mecânica, indicamos a direção correta ou por vezes, alegando pressa, nos escusamos de perder tempo e desviamos da criatura. E, no entanto, é um ser que sofre e talvez bastasse uma palavra amiga, a gentileza de explicar em pormenores, de seguir com ele um trecho do caminho, para lhe amenizar a dor. Recordamos que, certa vez, um homem ouvia em um templo religioso as advertências do orador: "Falar é dom de Deus. Se abrimos a boca para dizer algo, saibamos dizer o melhor. É preciso aproveitar todas as oportunidades porque, às vezes, desajudamos quando podíamos ajudar." O homem saiu dali e agasalhou a mensagem. Alguns dias depois, nas funções de pedreiro-chefe inspecionava um grande recinto, em fase final de construção, junto com o engenheiro. O enorme salão estava muito bonito. Acabamento esmerado e pintura, primorosa. Vamos experimentar a acústica. - sugeriu o engenheiro. E, virando-se para o pedreiro, lhe pediu: Grite alguma coisa. Saulo, esse era o nome do pedreiro, recordou as lições de dias antes a respeito da palavra e enchendo os pulmões, bradou alto: Confia em Jesus! O som estava muito bem distribuído e agradou a ambos. Passados alguns minutos, adentra a sala um homem de cabelos em desalinho, perturbado, revólver à mão. Quem gritou? Pergunta. Quem mandou confiar em Jesus? Saulo é apontado e o homem a ele se dirige. Percebe-se-lhe no olhar a angústia e o desespero. Joga-se nos braços do pedreiro e chora: Obrigado, obrigado, amigo. E porque ninguém conseguisse entender o que estava acontecendo, explica: Eu estava no terreno da construção. Queria morrer. Estava encostando o cano do revólver ao ouvido, quando escutei seu apelo. Sustei o gesto. Estou desempregado há muito tempo e sou pai de oito filhos. Confiar em Jesus. Sim. Eu confiarei. É sempre importante falarmos o bem. Mesmo quando pensemos que estamos sós, pois em verdade não estamos. Feliz foi o poeta que disse que o homem tem na garganta uma flauta mágica que pode emitir as mais doces melodias. É a voz, talento divino que nos foi dado para o nosso progresso e crescimento dos nossos irmãos. * * * A guerra nasce da linguagem dos interesses criminosos, insatisfeitos. A língua guarda a centelha divina do verbo através do qual o homem pode erguer o monumento da paz. Assim, podemos utilizar a palavra para consolar e edificar os nossos irmãos.
Redação do Momento Espírita.

6 de dezembro de 2009

MENSAGEM

POR: Affonso Romano de Sant'Anna

"Às vezes, você perde vários poemas, porque sente uma frase, sente algo murmurado no seu espírito e não presta atenção porque está ocupado com os ruídos da vida. É necessário apurar o seu ouvido, ter a humildade de anotar a coisa mesmo quando ela não é muito boa. Pode, de repente, um texto meio nebuloso, meio esquisito, meio simplório demais, dar raiz a um poema posteriormente interessante."

3 de dezembro de 2009

SOB A SOMBRA DE UM CARVALHO


"Não há como substituir um velho companheiro. Nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantos momentos difíceis vividos juntos, tantas desavenças e reconciliações; tantas emoções compartilhadas. Não se reconstroem essas amizades. É inútil plantar um carvalho na esperança de poder, em breve, se abrigar sob a sua sombra." O belo pensamento é de Saint-Exupéry, em seu texto "Terra dos homens", e nos remete a uma temática deveras importante: a construção de nossas relações com os outros. Convidamos você, neste momento, a lembrar de um grande companheiro de sua vida: um velho companheiro, um amigo, um pai, uma mãe, um irmão, irmã, etc. Passe uma revista rápida pelos anos de convívio e tente perceber como esta relação se formou e se consolidou ao longo do tempo. Lembre-se das tantas emoções compartilhadas, dos momentos felizes e dos momentos tristes. Certamente a cumplicidade, a amizade, o devotamento, não surgiram prontos, acabados. Certamente a confiança e o profundo apreço não nasceram repentinamente. Muito trabalho foi empregado aí, entre esses dois mundos de tantas afinidades, mas também de tantas diferenças. O carvalho plantado precisou de rega constante, esperançosa. Precisou de tempo, de sol e de chuva. Ambos hoje se abrigam sob sua sombra, depois de anos e mais anos de investimento mútuo. Assim, parece simples de se entender a afirmação de Exupéry, de que é inútil plantar um carvalho na esperança de, logo em seguida, imediatamente após o plantio, já poder desfrutar de sua sombra. A árvore leva tempo para se tornar frondosa. Porém, o tempo apenas não é suficiente. Que adiantam cem anos de solo infértil, de estiagem, de falta de sol? Não, um carvalho não cresce sem o cuidado da natureza, assim como uma relação de companheirismo não sobrevive se não for cuidada de perto, todos os dias. Por isso, se desejamos poder deitar e curtir a sombra de um belo carvalho, lembremos de tratá-lo todos os dias com toda nossa dedicação. O velho e bom companheiro de amanhã poderá ser o irmão das lutas de hoje, aquele com quem temos dificuldades, mas que temos tolerado, compreendido. O carvalho moço ainda tem pouca e vacilante sombra. Ora está aqui, ora está acolá, sacudido pelos ventos das tempestades. O carvalho moço ainda não se vê árvore, não se crê capaz de quebrar a luz do sol gritante. Mas se bem cuidado vai se fortalecendo, agigantando a copa, e se tornando frondosa árvore. O velho e bom companheiro de amanhã é o amigo que nos estende a mão hoje, e não permanece muito tempo na espera de outra que o ampare.
* * * "Velho companheiro, de mil aventuras;
Quantas experiências, vivemos os dois.
... Coisas que me ensinaste, para nada serviam...
Mas bem me dizias: servirão depois.
Sempre me aconselhaste: na justa medida,
Vai gozando a vida... Sem nunca esqueceres,
De praticar o bem. Porque a gente só goza,
na justa medida, Se ajudarmos outros, a gozar também."

Redação do Momento Espírita com base em citação de Saint-Exupéry, do livro "Felicidade, Amor e Amizade", ed. Sextante e de trecho de poema de Olímpio C. Neves, poeta de Luanda.

30 de novembro de 2009

MINHA TERRA





MINHA TERRA
(meu unhal acolhedor)
a Luzilândia

“Terra da Luz
Terra... Terra do meu ancestral,
Mundo, mundo... Dentro do meu quintal!”

Terra de Santa Luzia
O teu pavilhão anda
Na mais completa alegria
Onde nasceu a flor
Que de tão imensaAbraçou o céu
Trigo fecundoPara quem tiro o meu chapéu
Estrela cintilanteBanhada do mais puro mel
Sou um plácido pássaro
nascido do teu coração
águas fartas, belezas escarlates
brotam do mais acessível chão
amor real que há séculos
foi emerso da mais bela chama
onde quer que o arado traceuma fonte,
uma voz viva proclama.
Terra de Santa Luzia...aqui,
aquela pedra também te ama!
ALBERT ARAÚJO
POETA LUZILANDENSE
30-11-09

UM AMOR SERENO






Eu já vivi muitos amores
Alguns não duraram mais que uma noite
Outros duraram anos e pareciam ser eternos
Mas nunca eu tive paz, segurança e confiança...

Alguns ainda vieram vestidos de paixão
Duraram algumas noites e não sobreviveram
À convivência do dia-a-dia acabaram
Com a mesma rapidez em que começaram...

Hoje acho que amadureci
Não vivo mais amor-paixão
Meu amor é lago sereno
E não é feito de promessas: é tácito!

Meu amor de hoje tem a tranquilidade
De uma brisa fresca
Que em tardes quentes pode virar tempestade
Mas é aquele que eu mereço e me dá momentos de paz...


Mário Feijó
30.11.09

28 de novembro de 2009

DICAS PARA SER FELIZ



Por Roberto Shinyashiki e as suas dicas para ser feliz levam-nos a reflectir na nossa vida, dando alguns conselhos que podem realmente mudar a forma como vemos e somos vistos pelo mundo que nos rodeia. Abra a sua mente e leia atentamente as sábias palavras de Roberto Shinyashiki, aceite a mudança, faça parte da mudança.
01 – Seja ético - A vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos. Pisar os outros para subir desperta o desejo de vingança.
02 – Estude sempre e muito - A glória pertence àqueles que têm um trabalho especial para oferecer.
03 – Acredite sempre no amor - Não fomos feitos para a solidão. Se você está a sofrer por amor, está com a pessoa errada ou o amor está a prejudica-lo. Caso tenha se separado, curta a dor, mas se abra para outro amor.
04 – Seja grato(a) a quem participa nas suas conquistas - O verdadeiro campeão sabe que as vitórias são alimentadas pelo trabalho em equipe. Agradecer é a melhor maneira de deixar os outros motivados.
05 – Eleve suas expectativas - Pessoas com sonhos grandes obtêm energia para crescer. Os perdedores dizem: ‘isso não é para mim’. Os vencedores pensam em como realizar o objectivo.
06 – Curta muito a sua companhia - Casamento dá certo para quem não é dependente.
07 – Tenha metas claras - A História da Humanidade é cheia de vidas desperdiçadas, amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam carreiras ao sucesso, etc. Ter objetivos evita desperdícios de tempo, energia e dinheiro.
08 – Cuide bem do seu corpo - Alimentação, sono e exercício são fundamentais para uma vida saudável. Seu corpo é seu templo. Gostar de si deixa as portas abertas para os outros gostarem também.
09 – Declare o seu amor - Cada vez mais devemos exercer o nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor). Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais.
10 – Amplie os seus relacionamentos profissionais - Os amigos são a melhor referência em crises e a melhor fonte de oportunidades na expansão. Ter bons contatos é essencial em momentos decisivos.
11 – Seja simples - Retire da sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários.
12 – Não imite o modelo masculino do sucesso - Os homens fizeram sucesso a custa de solidão e da restrição aos sentimentos. O preço tem sido alto: enfartes e suicídios. Sem dúvida, temos mais a aprender com as mulheres do que elas conosco. Preserve a sensibilidade feminina – é mais natural e mais criativa.
13 – Tenha um orientador - Viver sem é decidir na neblina, sabendo que o resultado só será conhecido, quando pouco resta a fazer.Procure alguém de confiança, de preferência mais experiente e mais bem sucedido, para lhe orientar nas decisões, caso precise.
14 – Liberte-se do vício da preocupação - Viver tenso e stressado está na moda. Parece que ser competente e estar de bem com a vida são coisas incompatíveis. Ridículo… Defina suas metas, conquiste-as e deixe as neuras para quem gosta delas.
15 – O amor é um jogo cooperativo - Se vocês estão juntos é para jogar na mesma equipa.
16 – Tenha amigos vencedores - Aproxime-se de pessoas com alegria de viver.
17 – Diga adeus a quem não o(a) merece - Alimentar relacionamentos, que só trazem sofrimento é masoquismo, é atrapalhar a sua vida.Não perca tempo com quem não merece. Se você estiver com um marido / mulher que não esteja compartilhando, empreste, venda, alugue, doe… e deixe o espaço livre para um novo amor.
18 – Resolva! A mulher/homem do milênio vai limpar de sua vida as situações e os problemas desnecessários.
19 – Aceite o ritmo do amor - Assim como ninguém vai empolgadíssimo todos os dias para o trabalho, ninguém está sempre no auge da paixão. Cobrar de si e do outro viver nas nuvens é o começo de muita frustração.
20 – Celebre as vitórias - Compartilhe o sucesso, mesmo as pequenas conquistas, com pessoas queridas. Grite, chore, encha-se de energia para os desafios seguintes.
21 – Perdoe! Se você quer continuar com uma pessoa, enterre o passado para viver feliz. Todos as pessoas erram, você também.
22 – Arrisque! O amor não é para covardes.Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir. E o único risco será o de engordar.
23 – Tenha uma vida espiritual - Conversar com Deus é o máximo, especialmente para agradecer. Reze antes de dormir. Faz bem ao sono e a alma. Oração e meditação são fontes de inspiração.
24 – Muita paz, harmonia e amor…

A MORTE NÃO É NADA

(autor: Santo Agostinho)




Eu só passei...Para o outro lado do caminhoEu sou eu, vocês são vocês, O que eu era para vocês,Eu continuarei sendo.Me dêem o nome que Vocês sempre me deram...Falem comigoComo vocês sempre fizeram.Vocês continuam vivendoNo mundo das criaturas,Eu estou vivendoNo mundo do Criador.Não utilizem um tom soleneOu triste, continuem a rirDaquilo que nos fazia rir juntos.Rezem (ou orem), sorriem, pensem em mim!Rezem (ou orem) por mim!Que o meu nome seja pronunciadoComo sempre foi, sem ênfase de nenhum tipoSem nenhum traço de sombra ou tristeza.A vida significa tudo o que ela sempre significou,O fio não foi cortado.Por que eu estaria foraDe seus pensamentos,Agora que estou apenas fora de suas vistas?Eu não estou longe,Apenas estou do outro lado do caminho...Você que aí ficou, siga em frente,A vida continua, linda e belaComo sempre foi!

27 de novembro de 2009

A NOBREZA DE UM GESTO



A nobreza de um gesto

Habitualmente falamos que somente coisas ruins ganham manchete. Que notícia boa não é veiculada porque não vende nem jornal, nem revista. No entanto, por vezes, um gesto nobre ganha o noticiário internacional. Assim aconteceu com um palestino que virou manchete mundial. Ele não protagonizou nenhum dos conflitos que têm abalado as relações e a paz dos povos do Oriente. O mecânico Esmael Khatib deu uma verdadeira lição de fraternidade ao doar os órgãos de seu filho Ahmed a pacientes israelenses, que necessitavam de transplantes. O palestino teve seu filho, de apenas 12 anos, alvejado por soldados de Israel, durante uma operação de busca no campo de refugiados de Jenin. O mecânico optou pela doação, inspirado pela perda de seu irmão, de 24 anos, que, não resistindo à longa espera por um transplante de fígado, veio a morrer. Entre os beneficiados pelo gesto do palestino se encontravam um bebê de 7 meses e uma mulher de 58 anos. Alguns eram judeus, árabes-israelenses e uma garota de origem drusa. Conforme reproduziu o jornal Folha de São Paulo, Khatib teria dito: Eu me sinto bem pensando que os órgãos de meu filho estão ajudando seis israelenses. Acredito que o meu filho está agora no coração de todo israelense. O fato repercutiu pelo Mundo, exatamente pelos conflitos que envolvem as nações em questão. Tanto mais que o menino fora morto por israelenses. O fato é que, aquele pai, dolorido pela separação violenta do filho amado, encontra forças para beneficiar pessoas. Não indaga se pertencem à sua mesma nação, ao seu povo, à sua família. Não pergunta se são amigos ou inimigos. Simplesmente doa. Um gesto de humanidade, uma ação altruísta. A nota nos remete aos versos do sublime Galileu há mais de dois milênios: Ama o teu próximo... Faze o bem a quem te persegue... Ama o teu inimigo. Em nosso Brasil, embora as campanhas promovidas e a facilidade que se tem para doar órgãos, ainda é muito grande a fila de espera. Algumas estatísticas apontam que chega a 60 mil o número, em nosso país, dos que se encontram aguardando transplantes. A doação de órgão não é contrária às leis da natureza, porque beneficia a vida. Os doadores colaboram com a vida. O Espírito se liberta da carne e permite a outros o retorno da visão, a desvinculação de procedimentos morosos e dolorosos. Permite que um pai retorne ao lar, que o profissional retome atividades interrompidas, que o jovem volte a tecer sonhos de estudo e produtividade. Aqui, é a bomba cardíaca que torna a regularizar seu ritmo; ali é um fígado que volta a funcionar; além é um pulmão que se enche de ar, insuflando vida. Beneficiados os que recebem as doações dos órgãos. Abençoados por Deus os que se fazem doadores da esperança e da vida que estua. Pense nisso.
Redação do Momento Espírita, a partir de notícia publicada no Jornal Folha de São Paulo, datado de 8 de novembro de 2005.

24 de novembro de 2009

PRECONCEITO, O QUE É ISTO?

PRECONCEITO, O QUE É ISTO?

por Francisco Miguel de Moura*


Voltaire dizia: “Se queres conversar comigo, define tuas palavras.”.
Todas as palavras subjetivas são conceituais, precisam ser explicadas. Mas também as concretas carecem de alguma explicação, mesmo que apenas a do dicionário. O homem é um animal que pensa, logo também preconceitual, ou preconceituoso. O pensamento se encadeia, palavra puxa palavra, conceito puxa conceito. Toda linguagem será sempre complexa. As substâncias existem, os conceitos são formulados. O velho Aurélio registra, em primeiro lugar, o que conceito significa: “Representação de um objeto pelo pensamento, por meio de suas características gerais”. “Preconceito: conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos, idéias preconcebidas”.
Mas, para nós, quando se fala em preconceito, vem logo à baila o preconceito de cor (apenas o contra os negros). Acontece que há muitos outros preconceitos: de religião, de feiúra, de pobreza, de classe, de profissão (principalmente contra a primeira), de raça, de família, de doenças, de idade (velhice), de virgindade etc. E por falar no último da série, é bom que lembremos como as mocinhas de colégio se manifestam: – “Fulana, você ainda é”? ­E se a resposta é positiva, riem a valer. Significa que, hoje, a virgindade também é motivo de riso ou chacota.
Outrora havia uma cláusula nos concursos e nos testes de admissão de funcionários ou empregados, pessoal de modo geral, assim: “ter boa aparência”. A exigência caiu da lei, do papel, mas na prática e na surdina continua funcionando. O que deve ser exigido é que o funcionário (principalmente, se público), tenha boa presença, receba bem, seja educado. A sociedade muda e repassa conceitos e preconceitos, de pessoa para pessoa. A língua portuguesa, devido aos maus costumes pelo preconceito, perdeu as palavras “senhor” e “senhora”, substituídas por “tio”, “tia”, “vô” e “vó”. Mas, cuidado, que, por trás dum tratamento familiar, esconde-se o preconceito contra a velhice, a idade, além de ser uma mentira. Família é família (ou devia ser) e os outros são os outros. No campo social, quando uma comunidade não pensa, e age movida por preconceitos, pratica desumanidade. Humanidade é considerar todos iguais: é civilidade, é conhecer a natureza humana e aceitá-la nos seus “defeitos” e “qualidades”. Nossa linguagem é plural, multívoca, carrega consigo os preconceitos da sociedade. Mas é inacreditável que, quando a pessoa conhece suas possibilidades, seu limite, suas fraquezas, queira arremeter contra os limites do outro. Quando “intelectuais petistas” de hoje, os que estão no poder, numa reunião formulam frases como “Todos e todas”, terminam praticando um preconceito contra os do “terceiro sexo”. Quando criam uma lei favorecendo os negros, discriminam os brancos. É difícil. Mas é assim que entendemos. Piadas contra o português são uma discriminação, sim, senhor. Aliás, pelos textos do baixo humor podemos observar quanto mexem com profissionais (padres, médicos), lugares e estados (pacientes), entre outros. Falo do humor escrachado, não do fino humor que tão bem os ingleses praticam, embasado no jogo da linguagem e nunca cruelmente nas condições sociais dos sujeitos.
Todo preconceito é desumano, fere o cidadão (ou a cidadã). Em suma, conceito é também julgamento. Se feito com conhecimento de causa, é comum e aceitável. Mas se são ignoradas as causas e os efeitos, a história e tudo mais que envolve a coisa julgada, é abominável. Eis o preconceito, que é também maldade. As sociedades mais civilizadas procuram a medida certa nos seus conceitos e, quando erram, imediatamente buscam reparação.
*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro - membro da Academia Piauiense de Letras (Teresina, Piauí) e da Associação Internacional de Escritores e Artistas (IWA, sigla em inglês), sediada em Toledo, OH, Estados Unidos.

DESARMAMENTO



Desarmamento

No ano de 1997, a campanha pelo desarmamento das pessoas em geral mereceu destaque, em nosso país. Em algumas localidades, as autoridades optaram por trocar qualquer arma de fogo ou as chamadas armas brancas por cestas básicas. A imprensa abordou em debates televisivos a temática. Jornais e revistas buscaram, através de questionários com direito a prêmios, ouvir a opinião dos leitores, enfatizando, naturalmente, a questão do desarmamento como medida salutar para toda a sociedade. A todo momento, as notícias ventiladas traziam à tona os perigos do porte de armas. Informavam das sanções aos que as portavam de forma ilegal e as manchetes indicavam os primeiros a sofrerem tais sanções, por terem sido surpreendidos, com armas, sem a devida legalização. Enquanto toda essa campanha se processava, ganhando a simpatia dos que almejam e programam a paz em suas próprias vidas, observa-se, ainda hoje, um contrassenso total, no que tange às nossas crianças. Os brinquedos, imitando armas sofisticadas, que povoam a imaginação dos que acreditam que o Terceiro Milênio será a era da destruição maior, desde que dominaremos energias poderosas, segundo eles, são comercializadas e ofertadas em massa aos pequenos. Muitos desenhos infantis ainda não abandonaram a agressividade e alimentam as mentes dos homens do futuro com guerras nas estrelas, possantes máquinas voadoras que vencem distâncias astronômicas em segundos, com o objetivo de destruir o mais fraco ou o que comete erros contra os seus semelhantes. Miniaturas de heróis que literalmente limpam o Universo da escória humana são ofertadas aos pequenos. Suas roupas, à guisa de fantasias, ornamentam festas de aniversário dos petizes. Em nome da paz, prega-se a guerra e a violência. O mocinho tem o direito de matar o bandido, que é o elemento mau, indesejável e deve, sim, ser expurgado, para sempre, do meio que prejudica. Com tais atitudes, logicamente, a campanha do desarmamento que se pretende não alcançará êxito. Tolhem-se as armas dos adultos, mas se as distribui a mãos cheias às crianças. Toda mudança requer bases seguras. E as bases seguras se encontram na educação. Educação que se refere à reformulação dos caracteres. E, no caso mais específico, das crianças que formarão a nova e sadia sociedade, conforme pretendemos. Cumpre-nos meditar a respeito e escolher com mais propriedade os brinquedos que daremos aos nossos filhos. Dir-se-á que as crianças almejam tais brinquedos. Convenhamos, é porque não lhes mostramos outras opções, permitindo que elas estejam atentas somente para um lado do mundo. Dir-se-á, talvez, que elas trazem em si mesmas a agressividade. Por isso mesmo, é que pais e educadores nos devemos esmerar em lhes polir as qualidades positivas e lhes ofertar o brinquedo sadio, que contribuirá para sua formação de caráter, não alimentando os seus pontos negativos. * * * O dia 18 de outubro é dedicado ao desarmamento infantil. Coincidentemente, também é o dia dedicado ao médico. Esta data foi escolhida porque é quando se rendem homenagens ao Evangelista Lucas, que foi médico. Ambas as lembranças são muito oportunas. Ocorrendo uma vez ao ano, nos recordam que preservar a vida é muito importante. Tal é a missão do médico: salvar vidas. Tal é a missão dos pais: salvar almas que são imortais.

Redação do Momento Espírita.

11 de novembro de 2009

O AMOR É UMA LUZ








O amor é uma luz
... E a sua luz se cristaliza no
Ímpeto coração da sala habitada

A mão acende a lâmpada
E o que supérfluo – vira nada

Trovões invadem casas – e tudo têm asas

E no tempo submerso
A moça é de louça
E aqui no meu peito se acende algo...

Paixões invadem corações – e tudo é passarinho

Aprumado cavalos num galope rápido
Múltiplos gozos no complexo ninho

E aqui no meu peito se acende algo...



ALBERT ARAÚJO
11-11-09
Site oficial: www.albertaraujo.recantodasletras.com.br

AMOR TRANSPARENTE








Como num lindo sonho
Aqui tu se fazes presente

Tudo que eu abarco
Tudo que é água silente
O coração pressente

Clareza – vigília permanente


Palavras, palavras...
Gestos – grãos de cristal
Estrelas vivas
Flores no meu quintal


Como num lindo sonho...
O amor se faz presente

Como num lindo sonho
O amor se faz transparente.




ALBERT ARAÚJO
11-11-09
site oficial: www.albertaraujo.recantodasletras.com.br

9 de novembro de 2009

ESTAÇÃO DE PERDAS

ESTAÇÃO DE PERDAS

A vida é uma constante sequência de perdas, onde para ganhar, sempre temos que perder.
Começamos a viver como seres independentes ao sairmos do útero materno. Já temos que respirar, senão morremos, logo no início... Perdemos ali, o calor e a proteção do corpo de nossa mãe.
Para aprender a viver temos que perder a ignorância, o medo e arriscar. A vida é uma sequência inesgotável de riscos.
Muito cedo ganhamos os primeiros dentes para depois perdê-los. Ganhamos outros definitivos, mas que de definitivos não têm nada, pois também caem na velhice. Isto sem falar nos cabelos que crescem para depois cair ou então para perder a cor.
Perde-se a inocência da infância para ganhar a malícia adolescente e quando se perde também esta, perde-se a vergonha completamente... Perde-se a virgindade para ganhar maturidade, experiências que nos ensinam e nos habilitam a viver num mundo adulto e quem perder a coragem também perde-se num mundo de vícios e criminalidade, pois para estes parece mais fácil viver no crime. Então, perde-se a noção do que é a vida, um eterno aprendizado, um eterno viver em amor, e quando se foge dele perde-se o encanto da vida, pois a vida é bela quando o amor é a grande meta.
Tudo que construímos na base do amor alicerça a pessoa que somos, pois bens materiais não levamos quando saímos desta vida, perde-se tudo, levamos conosco, em nossa alma, a pessoa que construímos e os bons sentimentos. O resto fica para uma prestação de contas “algum dia” não sabemos ao certo quando. Alguns até pagam nesta vida tudo o que fazem, pois lidamos com energia, e muitas vezes as más energias voltam-se contra nós mesmos, mas se vivemos em amor ele nos serve de escudo, e a vida é mais fácil.
Voltando às nossas perdas... Todas são perdas que constroem que ensinam e quem não tiver conhecimento disto vai ficar lamentando todas... no entanto as perdas só nos tornam fortes, belos, experientes... veja uma pedra preciosa bruta, ela só resplandece e tem brilho depois de lapidada, depois de sofrer muito... somos assim, precisamos ser lapidados para ter brilho também. Então não vale a pena ficar lamentando as perdas, pois elas nada mais são do que respostas ao que estaremos ganhando, notamos as perdas, pois era o que estávamos acostumados e nem percebemos o novo estágio. Neste novo estágio, onde a perda pode ter sido uma “morte” isto significa que houve uma ascensão, ou seja a elevação do ser a um novo estágio. Vamos refletir sobre isto. Todos nós passaremos por isto e devemos desde já nos acostumar com estas perdas.
E quando pensamos estar pensando perder a vida estamos ganhando a vida eterna. A idade nos torna sábios, embora precisemos sempre da humildade para continuar aprendendo a ganhar com todas as perdas.


Mário Feijó (poeta e artista plástico)
09.11.09

A MASSACRANTE FELICIDADE DOS OUTROS

A Massacrante Felicidade dos Outros

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco.
Há no ar um certo queixume sem razões muito claras. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?
Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: "Eu espero acontecimentos só que quando anoitece é festa no outro apartamento". Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho. As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.
Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados. Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.
Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé?
Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento.
Martha Medeiros

PARA CELEBRAR O ENVELHECER...

ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS, CLEAVELAND, OHIO.

"Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou.

É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. Meu taxímetro chegou aos 90 em agosto, então, aqui está a coluna, mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.

5.. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.

18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não" como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré...
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?

27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...

33. Acredite em milagres.

34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que vc fez ou deixou de fazer.

35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares..

40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor está por vir.
43. Não importa como vc se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente "



21 de outubro de 2009

VELHOS AMIGOS

VELHOS AMIGOS


Conserve os velhos amigos
Este você conhece os defeitos
E todas as suas qualidades
Os novos que defeitos têm?
Quanto melhor você conhece alguém
Mais amigo você é, e mais fácil fica
De você lidar com eleE ele com você...
Velhos amigos conhecem
Cada um dos teus olhares
Conhece o teu jeito
De andar e de falar...
É semelhante ao ditado dos pássaros
Mais vale um velho amigo
Dentro do seu coração
Que muitos novos disponíveis à mão..


.(*)Mário Feijó21.10.09

PARA QUE NOS SINTAMOS UM POUCO MAIS HUMANO!








Resposta do cacique Seattle ao Presidente Americano F. Pierce, que tentava comprar as suas terras. Um exemplo sublime de consciência Holística e Ecológica. Uma denúncia à ganância do homem branco, cioso de seu intelecto. Um grito contra a injustiça dos que pensam ter o direito sobre a terra, excluindo seus semelhantes e outros seres vivos. Um apelo ao humanismo:
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro: o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao [seu próprio] mau cheiro. (...)
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se nós a decidirmos aceitar, imporei uma condição: O homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
O que é o homem sem os animais? Se os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma lição em tudo. Tudo está ligado.
Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com a vida de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas: que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à Terra, acontecerá também aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Disto nós sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem é que pertence à terra. Disto sabemos: todas as coisas então ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu a teia da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizermos ao tecido, fará o homem a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala como ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos (e o homem branco poderá vir a descobrir um dia): Deus é um Só, qualquer que seja o nome que lhe dêem. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual para o homem branco e para o homem vermelho. A terra lhe é preciosa e feri-la é desprezar o seu Criador. Os homens brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos das florestas densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídas por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a água? Desapareceu. É o final da vida e o inicio da sobrevivência. Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa Idéia nos parece um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los.
Cada pedaço de terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho... Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar para seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem, dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra tudo que necessita. A terra, para ele, não é sua irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, extraindo dela o que deseja, prossegue seu caminho. Deixa para traz os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa... Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei... nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o homem vermelho seja um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta de um homem, se não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmuro do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros."






Fonte: EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Princípios e Práticas, de Genebaldo Freire Dias, GAIA 1993

11 de outubro de 2009

RIO PARNAIBA PEDE AJUDA - TRADUZIDO






RIO PARNAIBA PEDE AJUDA... (Velho monge)
Nasço distante, Entre rochedos e matagais. Tenho pressa, tenho que correr... Preciso dar de comer a quem tem fome! Preciso dar de beber a quem tem sede! Sei a hora de chegar! Sou moço bom, em mim tu podes navegar. Tenho nome, Identidade, Tenho até apelido, na intimidade. Tantas e tantas vezes eu choro Quando em mim tu te afogas, Pois quisera nesse momento Ter cabelo de Sansão Para te segurar. De mim terás comida, Água boa, Podem até se banhar, Não podes dormir em meu peito Pois é muito profundo o meu leito. No entanto, sou tão indefeso! Os covardes, Depositam em mim suas imundícies, Dejetos... Todo tipo de lixo! Por isso estou eu doente, Tenho uma dor no peito... Quero ainda ver o teu filho crescer, O teu neto nascer E compartilharem comigo um sorriso, Um abraço forte e sincero. Por favor, me ajudem a viver! Não quero morrer!...
ALBERT ARAÚJO
Luzilândia – PI – fev/2007

Italiano

RIO PARNAIBA CHIEDE IL SUSSIDIO… (Vecchio monge)
Sono distante sopportato, Fra i rochedos e le masse di erbacce. Ho rapidità, io ho quello da funzionare… Necessario dare per mangiare a chi la fame! Necessario dare alla bevanda a chi le sedi! Conosco l'ora per arrivare! Sono buono giovane, in me voi baccelli da navigare. Ho nome, Identità, Ho fino al nickname, nella segretezza. Tanto ed altretante volte grido Quando in me siete annegati, Di conseguenza desidera a questo momento Per avere capelli di Sansão Per tenerli. Di me mangerete l'alimento, Buona acqua, latta fino a se bagnandosi, Baccelli da non dormire nella mia cassa Di conseguenza la mia base del flusso è molto profonda. Tuttavia, sono così defenseless! I vigliacchi, Depositano in me i relativi imundícies, Dejections… Tutto il tipo di immondizia! Di conseguenza sono ammalato, Ho un dolore nella cassa… Ancora desidero vedere il vostro figlio per svilupparmi, Il vostro nipote da sopportare E alla parte con me un sorriso, Uno abbraccio forte sincero e. Prego, lo aiutano a vivere! Non desidero morire! …
ALBERT ARAÚJO
Luzilândia - pi - fev/2007


Inglês


RIO PARNAIBA ASKS FOR AID… (Old monge)
I am born distant, Between rochedos and masses of weeds. I have haste, I have that to run… Necessary to give to eat to who it has hunger! Necessary to give to drink to who it has headquarters! I know the hour to arrive! I am young good, in me you pods to sail. I have name, Identity, I have until nickname, in the privacy. As much and as many times I cry When in me you are drowned, Therefore it wants at this moment To have hair of Sansão To hold you. Of me you will have food, Good water, They can until if bathing, Pods not to sleep in my chest Therefore my stream bed is very deep. However, I am so defenseless! The cowards, They deposit in me its imundícies, Dejections… All type of garbage! Therefore I am sick, I have a pain in the chest… I still want to see your son to grow, Your grandson to be born E to share with me a smile, One I hug sincere fort and. Please, they help me to live! I do not want to die! …
ALBERT ARAÚJO
Luzilândia - PI - fev/2007

Francês


RIO PARNAIBA DEMANDE AIDE… (Vieux moine)
Je né éloigné, Entre des rochers et des brousses. J'ai de la rapidité, ai qu'il courra… Précis donner de manger qui il a faim ! Précis donner de boire qui il a siège ! Je sais l'heure d'arriver ! Je suis jeune bon, dans moi tu peus naviguer. J'ai nom, Identité, J'ai jusqu'à nom, dans l'intimité. Tant et autant fois je pleures Quand dans moi tu te noies, Donc il a voulu au ce moment Avoir des cheveux de Sansão Pour que te tiennent. De moi tu auras de la nourriture, Eau bonne, Ils peuvent même se baigner, Tu ne peus pas dormir dans ma poitrine Donc est très profond mon lit. Néanmoins, je suis aussi désarmé ! Les lâches, Ils déposent dans moi leurs imundícies, Déjections… Tout type de déchets ! Donc je suis malade, J'ai une douleur dans la poitrine… Je veux encore voir ton fils grandir, Ton petit-fils né Et partager avec moi un sourire, Une accolade forte et sincère. S'il vous plaît, ils aident vivre ! Je ne veux pas mourir ! …
ALBERT ARAÚJO

Luzilândia - PI - fev/2007

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DA POESIA NA ESCOLA

Importância do ensino da poesia na escola
Não se vê mais o ensino da poesia na escola. O professor de hoje não está buscando recursos e apoio para que os alunos tenham acesso a este conhecimento fascinante, porque não dizer, a esta bela arte que é a poesia. Esquecem que através deste tipo de atividade em sala de aula pode-se estar alimentando o hábito para a leitura.O universo da poesia é muito rico e encantador, e o professor é o mediador e o iniciador das crianças neste mundo maravilhoso da leitura. E sabemos que o trabalho com leitura deve ser lúdico, prazeroso e bastante agradável.Alguns educadores questionam: “ Ah, é difícil ensinar poesia na escola! Como devo fazer? Como iniciar? Como introduzir e como incentivar o estudo da poesia e criação de textos poéticos com os nossos alunos? Eu não entendo nada de poesia! E para escrever poesia não é necessário inspiração, dom?” Sim, em parte, mas eu diria, como muitos admiradores da poesia e poetas profissionais, que precisamos contar com os conhecimentos poéticos, como também com um pouco de inspiração e outro pouco de transpiração! O que vimos são questões levantadas por nossos colegas que não se sentem capacitados para este tipo de trabalho com os alunos em sala de aula. Acredito que não há regra ou uma fórmula pronta para escrever o que sentimos, e poesia é puro sentimento, é usar a sensibilidade para colocar através dos poemas de forma poética o que acontece em nosso dia-a-dia, injustiças, a paixão, a perda, a ilusão, a morte, a esperança, o amor, enfim, imaginação e graça.Mas é possível, sim, ensinar poesia na escola; só é necessário que o professor se interesse e queira trabalhar o novo com empenho e dedicação em prol do aluno; assumir esse desafio para melhorar sua prática pedagógica. É muito importante e interessante, pois além de incentivar a leitura, leva o mesmo a mergulhar nesse mundo maravilhoso do poema, como forma de se expressar, reivindicar, falar ao mundo do mundo ou do seu próprio mundo.O professor necessita de novas ferramentas, precisa trabalhar este tema com cuidado para que possa encontrar subsídios de como passar esse conhecimento para os alunos, de como encantá-los sem desanimá-los. Mas tudo depende da criatividade do professor com boa dose de capacitação no tema abordado.Eu poderia até dar algumas dicas aos interessados, com um pouco de ousadia: por que não começar brincando com as palavras? Interessante, como também usar a seqüência didática, pois é uma técnica viável e acessível a todos. É necessário realizar muitas atividades com os alunos; ler muitos livros, utilizar pesquisas, descobrir coisas novas, como também sair das quatro paredes da sala de aula e ir ao campo ou pátio, sentir a natureza, quem sabe isso ajudará a incentivar os alunos ao mundo da poesia, porque - de repente - eles se sentem inspirados, contagiados e motivados a verem com outros olhos aquilo que sempre viram e que nunca perceberam o quanto é belo e encantador!A partir daí, os alunos poderão dar início as suas produções que deverão ser examinadas e avaliadas com cautela e valorização, podendo o professor utilizar de várias técnicas para este fim, como permitir que sejam lidas em sala, corrigidas pelo professor e pelos próprios alunos, pois ao ensinar aos alunos a revisarem e aperfeiçoarem seus textos, o professor estará auxiliando-os a criarem o hábito de serem leitores de si mesmos, e daí para frente, quem sabe, publicar e expor suas produções em jornais da escola, do bairro ou da cidade, murais, literatura de cordel, na internet – blogs, etc. Assim, eles perceberão a importância do seu trabalho e se sentirão compensados.Como vimos, qualquer pessoa pode produzir poemas com seus encantos poéticos, sem necessariamente se prender a rima, musicalidade, sílabas contadas, etc. e tal, pois sabemos que isto é motivo suficiente para que os professores não queiram introduzir o ensino da poesia na escola.Escrever com o coração é desafiar a própria razão! Todos nós podemos produzir poemas belíssimos, é claro que não podemos esquecer que há pessoas que já nascem com esse dom, mas podemos trabalhar, exercitar, basta querer, sentir vontade e coragem, afinal, a poesia lida com o que é de humano, é uma comunicação especial, própria de cada um, com seus encantos e desencantos, mas belos e profundos.Então, caros colegas professores, perceberam como é importante o ensino da poesia na escola?
Profª Emiliana Maria de Sousa Teixeira é pedagoga, especialista em Metodologia do Ensino.
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