Quando penso em Ana Clara, não a vejo apenas como uma jovem que cresceu diante dos nossos olhos. Vejo-a como parte de uma paisagem maior, como se fosse uma árvore que nasceu pequena, mas que, ao longo dos anos, estendeu seus galhos em direção ao céu, oferecendo sombra e frutos a todos que se aproximam.
Ana Clara sempre teve um coração que escutava. Escutava o chamado dos pássaros feridos, o miado tímido dos gatos abandonados, o olhar suplicante dos cães sem dono. Escutava também o silêncio dos animais que não podiam falar, mas que encontravam nela uma tradutora de suas dores e necessidades. Era comum vê-la recolhendo um filhote perdido, cuidando de um passarinho caído, ou simplesmente acariciando o cachorro da família com uma ternura que parecia infinita.
Essa paixão não era apenas um gesto passageiro de infância. Era uma chama que crescia junto com ela, iluminando seus dias e guiando suas escolhas. Enquanto outras crianças sonhavam com castelos ou aventuras, Ana Clara sonhava com clínicas veterinárias, com livros de anatomia animal, com a possibilidade de transformar sua compaixão em profissão.
Desde pequena, sua presença irradiava bondade e curiosidade, como se o mundo fosse um livro aberto e cada página trouxesse uma nova oportunidade de aprender, cuidar e amar.
Lembro-me
de sua delicadeza e da forma como seus olhos brilhavam diante de qualquer ser
vivo. Não era apenas uma menina que gostava de brincar com animais; era uma
alma que se conectava profundamente com eles, como se pudesse escutar o que não
era dito, traduzir o que não era falado.
Recordo-me de quando ela tinha apenas seis anos. Eu partia para longe, e ela ficava, com seus olhos atentos, como quem já pressentia que o futuro lhe reservaria grandes conquistas. Era pequena, mas já trazia no coração uma vocação: cuidar. Não apenas dos animais, mas de tudo o que respirava vida.
Um episódio que sua mãe Adélia nos contou, que nunca saiu da minha memória aconteceu em um restaurante. Ana Clara chegou e viu um cachorrinho magro, magérrimo, quase invisível aos olhos apressados das pessoas. Mas não aos dela. Sem hesitar, entrou na cozinha, comprou carne e ofereceu ao animal. O gesto simples, mas imenso, revelou o que sempre esteve em seu coração: a incapacidade de ignorar a dor alheia, a urgência de socorrer, a compaixão que não se mede em palavras, mas em atitudes.
Assim era também com Quirina, a cachorrinha um pinscher inglês miniatura nº 6 que ganhou dela carinho e atenção como se fosse parte da família. A ligação entre as duas era tão intensa que, quando Quirina morreu, Ana Clara entrou em desespero. A dor da perda foi profunda, mas também mostrou o quanto ela era capaz de amar. Para preencher o vazio, veio outro cachorro, e Ana Clara, com sua criatividade e ternura, deu-lhe o nome de Gerald, em homenagem ao personagem do filme piauiense Aí que vida. Era como se, ao nomear, ela desse ao novo amigo não apenas identidade, mas também história, memória e afeto.
Os animais sempre foram parte de sua vida. Sempre se encantou com os passarinhos do tio, o saudoso professor Lima Neto. Ficava horas observando-os, como quem aprende com o canto e com o voo. Para Ana Clara, cada criatura tinha algo a ensinar, cada gesto da natureza era uma lição de beleza e resistência e muitos outros momentos em que não presenciei, mas que deixaram marcas indeléveis na alma de todos os seus familiares.
Com isso, esses episódios não foram apenas momentos isolados; foram capítulos de uma história maior. Uma história de bondade, de dedicação, de paixão pelos animais. Uma história que se transformou em vocação. Desde cedo, Ana Clara sabia que queria ser veterinária. Não era apenas um sonho infantil, mas um chamado profundo, uma missão que ela abraçou com disciplina e alegria.
Estudiosa, obediente, feliz, Ana Clara construiu sua trajetória com passos firmes. Cada livro aberto, cada noite de estudo, cada desafio vencido foi um degrau rumo à realização. E mesmo diante das dificuldades, nunca perdeu o sorriso. Sua felicidade vinha da certeza de estar caminhando na direção certa.
Hoje, ao olhar para trás, vejo que sua vida é como uma canção composta de episódios marcantes: o cachorro magro que recebeu carne, a Quirina que foi amada até o último suspiro, o Gerald que ganhou nome e história, os passarinhos que encantam seus olhos. Tudo isso forma a melodia de quem nasceu para cuidar, proteger e amar.
Mas para falar de Ana Clara, é preciso recorrer às metáforas da natureza. Ela é como um rio que nunca deixa de correr, mesmo diante das pedras que tentam interromper seu curso. É como uma estrela que brilha no céu, mesmo quando as nuvens tentam escondê-la. É como uma borboleta que, após a metamorfose, descobre que suas asas podem levá-la mais longe do que jamais imaginou.
Ana Clara é árvore e raiz. É vento e brisa. É canto de pássaro e silêncio de madrugada. Sua vida é feita de ciclos, como as estações, e em cada ciclo ela floresce de novo, mais forte, mais bela, mais inteira.
E essa melodia chega agora ao seu ponto mais alto. No dia 06 de fevereiro de 2026, Ana Clara celebrará sua formatura em Medicina Veterinária. Não é apenas um diploma; é a concretização de um sonho que nasceu na infância e cresceu com ela. É a prova de que a dedicação, a bondade e a paixão podem transformar vidas, não apenas a dela, mas também a de todos os animais que cruzarem seu caminho.
Ana Clara, que sua jornada continue sendo iluminada pela ternura que sempre te guiou. Que cada animal que encontrar em sua vida seja tratado com o mesmo carinho que você deu ao cachorrinho magro, a Quirina, ao Gerald, aos passarinhos do tio. Que sua profissão seja mais do que trabalho: seja missão, seja amor, seja poesia.
Não posso finalizar este texto sem erguer um gigante megafone e pronunciar, em alto e bom som, os nomes daqueles que estiveram ao lado de Ana Clara em sua jornada acadêmica.
Sua mãe, Adélia Araújo, que lhe deu não apenas a vida, mas também o exemplo de força e dedicação. O PAI Fábio Braga que sempre incentivou em seus estudos. Sua avó, Idvani Braga, que lhe ofereceu colo, sabedoria e amor incondicional. Sua tia, Sônia Lima, e seu esposo, Lima Neto (In memoriam), que marcaram sua trajetória com apoio e presença. Sua tia, Conceição Araújo, Arthur e Sthephany, que mesmo morando longe sempre esteve por perto, oferecendo carinho e incentivo. Os tios Lúcia e Luiz Quaresma. Seus tios, Alberto Araújo e Shirley, que vibraram com cada conquista, como se fossem deles também. Seus tios: Decy e sua esposa, Mica, Elias Neto, Iara Sousa, enfim a todos os que, de alguma forma, participaram dos momentos acadêmicos de Ana Clara, seja com palavras de incentivo, gestos de apoio ou simples presenças silenciosas.
Cada nome aqui pronunciado é parte da sinfonia que compôs a vida de Ana Clara. Sem eles, o caminho seria mais difícil; com eles, tornou-se mais leve, mais bonito, mais possível.
E agora, com o coração cheio de orgulho, que expressamos a nossa alegria: no dia 06 de fevereiro de 2026, Ana Clara celebrará sua formatura em Medicina Veterinária. Um marco que não é apenas dela, mas de todos que a apoiaram. Uma conquista que honra sua infância, sua juventude e seu futuro.
©
Alberto Araújo
06
de fevereiro de 2026.




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