14 de fevereiro de 2026. O 6º Domingo
do Tempo Comum trouxe consigo não apenas uma celebração, mas uma experiência
que se gravou no coração dos fiéis. A Paróquia e Santuário São Judas Tadeu
estava repleta de vozes e expectativas, e foi sob esse clima que Padre Carmine
Pascale presidiu a missa. Sua presença não é comum. Sim, de um pastor que carrega consigo a
serenidade de quem vive o Evangelho e a alegria de quem sabe que a fé é
encontro e partilha.
O sol de fevereiro iluminava Niterói
como se fosse cúmplice da celebração. Ao entrar na igreja, cada fiel trazia
consigo suas inquietações, suas dores e suas esperanças. Mas bastou o canto de
entrada para que tudo se transformasse. Desde o canto inicial, “Eu
creio em Deus...”, a assembleia foi envolvida por uma atmosfera de
unidade. Padre Carmine entrou cantando, irradiando felicidade, convidando todos
a participarem de uma festa espiritual. Não era apenas o início de uma
liturgia; era o anúncio de que algo grandioso estava prestes a acontecer.
As leituras Eclesiástico (Eclo) 15,
16-21 — "Deus deixou ao homem o poder de escolher entre o bem e o mal...",
o Salmo Responsorial 118-119 - “Feliz o homem sem pecado em seu caminho que
na Lei do Senhor Deus vai progredindo”, da 2ª Leitura - Primeira Carta
aos Coríntios (1Cor) 2, 6-10 e do Evangelho de Mateus (Mt) 5, 17-37. Em
verdade eu vos digo, antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só
letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra... foram
como pedras preciosas lapidadas pela sua interpretação. Ele não se limitou a
explicá-las: viveu-as diante de nós.
Sua homilia foi um convite à prática
concreta da fé. E ao meditar sobre o Evangelho de Mateus, lembrou que a
autenticidade é a marca dos discípulos de Cristo: que o “sim” seja sim, e o “não”
seja não. Tudo o que for, além disso, vem do maligno... Não havia retórica
vazia; havia verdade, havia vida.
Padre Carmine não fala apenas com
palavras. Ele fala com os olhos, com os gestos, com o silêncio que antecede
cada frase. Sua voz é firme, mas doce; profunda, mas acessível. É como traduzir
o mistério divino em linguagem humana, sem perder a sacralidade. Há nele uma
unção que não se ensina nos livros, mas que se recebe como dom. Não é apenas
eloquência, não é apenas conhecimento teológico. É a presença do Espírito que
se manifesta em cada palavra. E é exatamente isso que acontece quando Padre
Carmine fala: sentimos que algo se move dentro de nós, que somos chamados a ser
melhores, a viver com mais amor e gratidão.
Quando o Credo
Niceno-Constantinopolitano foi proclamado e a oração da comunidade: “Deus
de Amor, ouvir-nos”, elevou nossas súplicas, um sentimento coletivo de
paz tomou conta da assembleia. Não era apenas uma missa; era um encontro com o
sagrado, mediado por alguém que carrega consigo a missão de ser presença viva
de Cristo entre nós.
O ofertório trouxe um momento de
beleza singular. Ao som do canto “Venho Senhor Oferecer”, cada gesto
se tornava símbolo de entrega. E foi então que dois amigos de longa data, Marne
e Licia Lucas, foram abençoados pelo Espírito Santos, ambos caminharam até o
altar levando o pão e o vinho. Não eram apenas oferendas; eram vidas
oferecidas, histórias partilhadas, talentos consagrados.
Marne, engenheiro de profissão, homem
de espírito generoso, e Licia, pianista consagrada e reconhecida
internacionalmente, hoje Diretora Cultural do Teatro São Judas Tadeu,
representaram naquele instante não apenas a si mesmos, mas toda a comunidade
que se coloca diante de Deus. A emoção em seus rostos era testemunho de que o
gesto simples de levar os dons ao altar pode se tornar um ato de profunda
espiritualidade.
E quando o canto da consagração ecoou “Santo,
Santo, Santo é o Senhor Deus do Universo... Hosana nas alturas...” a
igreja inteira suspensa entre o céu e terra. Certamente, no momento, os anjos
se uniram ao coro humano, e cada voz era uma chama acesa em louvor.
Mas havia ainda um instante reservado
à surpresa, um gesto que tocou profundamente o coração deste cronista. Após a bênção
final, quando a assembleia já se preparava para a saída. É costume que, nesse
momento, se proclame: “A alegria do Senhor seja a nossa força”,
recordando que a missão do cristão é levar ao mundo a luz e a esperança de
Cristo.
Porém, Padre Carmine, com a mesma
alegria que o caracteriza, voltou-se para mim e disse algo que ficará gravado
para sempre em minha memória. Com voz firme e sorriso radiante, disse em alto e
bom tom: “Seus textos são ótimos, são muito inspirados.” Não foi apenas
um elogio. Um reconhecimento público, feito diante de minha esposa Shirley, dos
amigos Marne e Licia Lucas, e de tantos outros que estavam próximos. Senti naquele
instante, o padre estendendo a sua
bênção também sobre minha missão de escrever, de registrar em palavras a beleza
das celebrações da nossa paróquia.
A emoção me tomou por inteiro. Eu, que
tantas vezes narrei com devoção as missas em meu site, no Facebook e no
Instagram, agora recebia do próprio celebrante a confirmação de que esses
textos não são apenas relatos, mas sementes de fé que se espalham.
Esse gesto simples, mas carregado de
lirismo, fez pulsar meu coração com gratidão. Porque não se tratava apenas de
mim; tratava-se da certeza de que cada palavra escrita pode ser instrumento de
evangelização, pode ser ponte entre a experiência vivida e a memória que
permanece.
E assim, ao deixar a igreja, não
carregávamos apenas a lembrança de uma missa, mas a certeza de termos sido
tocados por algo que ultrapassa o tempo e a matéria. A homilia de Padre Carmine
não se encerrou no altar; ela se prolonga em cada gesto de ternura, em cada
escolha pelo bem, em cada palavra que nasce inspirada pela força do Espírito.
No íntimo deste cronista, pulsava uma
gratidão imensa. Gratidão por ter ouvido a voz de um pastor que não apenas
prega, mas vive o Evangelho; gratidão por ter sido reconhecido em minha missão
de escrever e partilhar a fé; gratidão por sentir que minhas palavras, humildes
e humanas, podem se tornar sementes de esperança.
Padre Carmine, com sua alegria e sua graça,
fez da missa não apenas um rito, mas um encontro transformador. E eu, ao sair,
compreendi que cada texto que escrevo é também uma continuação de sua homilia,
um eco daquilo que ele nos transmite: a certeza de que a alegria do Senhor é, e
sempre será, a nossa força.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural