6 de fevereiro de 2026

ANA CLARA E O CORAÇÃO QUE ABRAÇA OS ANIMAIS

Quando penso em Ana Clara, não a vejo apenas como uma jovem que cresceu diante dos nossos olhos. Vejo-a como parte de uma paisagem maior, como se fosse uma árvore que nasceu pequena, mas que, ao longo dos anos, estendeu seus galhos em direção ao céu, oferecendo sombra e frutos a todos que se aproximam. 

Ana Clara sempre teve um coração que escutava. Escutava o chamado dos pássaros feridos, o miado tímido dos gatos abandonados, o olhar suplicante dos cães sem dono. Escutava também o silêncio dos animais que não podiam falar, mas que encontravam nela uma tradutora de suas dores e necessidades. Era comum vê-la recolhendo um filhote perdido, cuidando de um passarinho caído, ou simplesmente acariciando o cachorro da família com uma ternura que parecia infinita. 

Essa paixão não era apenas um gesto passageiro de infância. Era uma chama que crescia junto com ela, iluminando seus dias e guiando suas escolhas. Enquanto outras crianças sonhavam com castelos ou aventuras, Ana Clara sonhava com clínicas veterinárias, com livros de anatomia animal, com a possibilidade de transformar sua compaixão em profissão.

Desde pequena, sua presença irradiava bondade e curiosidade, como se o mundo fosse um livro aberto e cada página trouxesse uma nova oportunidade de aprender, cuidar e amar. 

Lembro-me de sua delicadeza e da forma como seus olhos brilhavam diante de qualquer ser vivo. Não era apenas uma menina que gostava de brincar com animais; era uma alma que se conectava profundamente com eles, como se pudesse escutar o que não era dito, traduzir o que não era falado.

 

Recordo-me de quando ela tinha apenas seis anos. Eu partia para longe, e ela ficava, com seus olhos atentos, como quem já pressentia que o futuro lhe reservaria grandes conquistas. Era pequena, mas já trazia no coração uma vocação: cuidar. Não apenas dos animais, mas de tudo o que respirava vida. 

Um episódio que sua mãe Adélia nos contou, que nunca saiu da minha memória aconteceu em um restaurante. Ana Clara chegou e viu um cachorrinho magro, magérrimo, quase invisível aos olhos apressados das pessoas. Mas não aos dela. Sem hesitar, entrou na cozinha, comprou carne e ofereceu ao animal. O gesto simples, mas imenso, revelou o que sempre esteve em seu coração: a incapacidade de ignorar a dor alheia, a urgência de socorrer, a compaixão que não se mede em palavras, mas em atitudes. 

Assim era também com Quirina, a cachorrinha um pinscher inglês miniatura nº 6 que ganhou dela carinho e atenção como se fosse parte da família. A ligação entre as duas era tão intensa que, quando Quirina morreu, Ana Clara entrou em desespero. A dor da perda foi profunda, mas também mostrou o quanto ela era capaz de amar. Para preencher o vazio, veio outro cachorro, e Ana Clara, com sua criatividade e ternura, deu-lhe o nome de Gerald, em homenagem ao personagem do filme piauiense Aí que vida. Era como se, ao nomear, ela desse ao novo amigo não apenas identidade, mas também história, memória e afeto. 

Os animais sempre foram parte de sua vida. Sempre se encantou com os passarinhos do tio, o saudoso professor Lima Neto. Ficava horas observando-os, como quem aprende com o canto e com o voo. Para Ana Clara, cada criatura tinha algo a ensinar, cada gesto da natureza era uma lição de beleza e resistência e muitos outros momentos em que não presenciei, mas que deixaram marcas indeléveis na alma de todos os seus familiares. 

Com isso, esses episódios não foram apenas momentos isolados; foram capítulos de uma história maior. Uma história de bondade, de dedicação, de paixão pelos animais. Uma história que se transformou em vocação. Desde cedo, Ana Clara sabia que queria ser veterinária. Não era apenas um sonho infantil, mas um chamado profundo, uma missão que ela abraçou com disciplina e alegria. 

Estudiosa, obediente, feliz, Ana Clara construiu sua trajetória com passos firmes. Cada livro aberto, cada noite de estudo, cada desafio vencido foi um degrau rumo à realização. E mesmo diante das dificuldades, nunca perdeu o sorriso. Sua felicidade vinha da certeza de estar caminhando na direção certa. 

Hoje, ao olhar para trás, vejo que sua vida é como uma canção composta de episódios marcantes: o cachorro magro que recebeu carne, a Quirina que foi amada até o último suspiro, o Gerald que ganhou nome e história, os passarinhos que encantam seus olhos. Tudo isso forma a melodia de quem nasceu para cuidar, proteger e amar. 

Mas para falar de Ana Clara, é preciso recorrer às metáforas da natureza. Ela é como um rio que nunca deixa de correr, mesmo diante das pedras que tentam interromper seu curso. É como uma estrela que brilha no céu, mesmo quando as nuvens tentam escondê-la. É como uma borboleta que, após a metamorfose, descobre que suas asas podem levá-la mais longe do que jamais imaginou. 

Ana Clara é árvore e raiz. É vento e brisa. É canto de pássaro e silêncio de madrugada. Sua vida é feita de ciclos, como as estações, e em cada ciclo ela floresce de novo, mais forte, mais bela, mais inteira.

E essa melodia chega agora ao seu ponto mais alto. No dia 06 de fevereiro de 2026, Ana Clara celebrará sua formatura em Medicina Veterinária. Não é apenas um diploma; é a concretização de um sonho que nasceu na infância e cresceu com ela. É a prova de que a dedicação, a bondade e a paixão podem transformar vidas, não apenas a dela, mas também a de todos os animais que cruzarem seu caminho. 

Ana Clara, que sua jornada continue sendo iluminada pela ternura que sempre te guiou. Que cada animal que encontrar em sua vida seja tratado com o mesmo carinho que você deu ao cachorrinho magro, a Quirina, ao Gerald, aos passarinhos do tio. Que sua profissão seja mais do que trabalho: seja missão, seja amor, seja poesia. 

Não posso finalizar este texto sem erguer um gigante megafone e pronunciar, em alto e bom som, os nomes daqueles que estiveram ao lado de Ana Clara em sua jornada acadêmica. 

Sua mãe, Adélia Araújo, que lhe deu não apenas a vida, mas também o exemplo de força e dedicação. O PAI Fábio Braga que sempre incentivou em seus estudos. Sua avó, Idvani Braga, que lhe ofereceu colo, sabedoria e amor incondicional. Sua tia, Sônia Lima, e seu esposo, Lima Neto (In memoriam), que marcaram sua trajetória com apoio e presença. Sua tia, Conceição Araújo, Arthur e Sthephany, que mesmo morando longe sempre esteve por perto, oferecendo carinho e incentivo. Os tios Lúcia e Luiz Quaresma. Seus tios, Alberto Araújo e Shirley, que vibraram com cada conquista, como se fossem deles também. Seus tios: Decy e sua esposa, Mica, Elias Neto, Iara Sousa, enfim a todos os que, de alguma forma, participaram dos momentos acadêmicos de Ana Clara, seja com palavras de incentivo, gestos de apoio ou simples presenças silenciosas.

Cada nome aqui pronunciado é parte da sinfonia que compôs a vida de Ana Clara. Sem eles, o caminho seria mais difícil; com eles, tornou-se mais leve, mais bonito, mais possível. 

E agora, com o coração cheio de orgulho, que expressamos a nossa alegria: no dia 06 de fevereiro de 2026, Ana Clara celebrará sua formatura em Medicina Veterinária. Um marco que não é apenas dela, mas de todos que a apoiaram. Uma conquista que honra sua infância, sua juventude e seu futuro. 

© Alberto Araújo

06 de fevereiro de 2026.















 

5 de fevereiro de 2026

HOJE É O DIA DE VICENTE

Hoje, 05 de fevereiro de 2026, é um dia que brilha com mais intensidade. É o aniversário do nosso querido sobrinho-neto Vicente, que completa 7 anos de vida. Uma data que não é apenas marcada no calendário, mas gravada nos corações de todos nós que o amamos. 

Sete anos atrás, Vicente chegou como um presente divino, trazendo consigo alegria, esperança e união para toda a família. Desde então, cada aniversário é uma oportunidade de recordar o quanto sua presença é valiosa e o quanto ele já nos inspira com sua bondade e generosidade. 

Neste dia, celebramos não apenas o crescimento de um menino, mas o florescer de uma alma iluminada. Vicente, com sua essência altruísta e seu coração puro, nos ensina que compartilhar é amar, e que amar é viver em plenitude.

Que esta data seja envolvida por abraços calorosos, risadas sinceras e a certeza de que ele é profundamente amado. Que os pais, avós, tios e todos os familiares possam se reunir em torno dele, como no primeiro dia de sua vida, para agradecer a Deus por este dom precioso. 

Hoje é o dia de Vicente. Um dia para celebrar a vida, a luz e a generosidade que ele já espalha pelo mundo. 

Parabéns, Vicente! Que este aniversário seja apenas o início de mais um ciclo repleto de descobertas, sonhos realizados e momentos felizes. 

Shirley & Alberto Araújo

05 de fevereiro de 2026

 



 

30 de janeiro de 2026

PADRE ALEX COUTINHO DE ABREU CINCO ANOS DE UM “SIM” QUE TRANSFORMA VIDAS


"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura."  Marcos 16:15 

Na luz que emana do altar, onde o pão se torna corpo e o vinho se faz sangue, há um sacerdote que, há cinco anos, respondeu com coragem e amor ao chamado do Cristo: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens" - Mateus 4:19. 

“Segue-me” e o Padre Alex Coutinho, vigário paroquial da amada Paróquia São Judas Tadeu em Icaraí o seguiu e celebra em 30 de janeiro o quinto aniversário de seu “sim”, um sim que ecoa como canto de esperança nas paredes da igreja e nos corações dos fiéis. 

Expressivo em sua presença, profundo em suas palavras, Padre Alex é mais que um mensageiro do Evangelho: é um jardineiro da fé, que cultiva com ternura cada alma que se aproxima do mistério divino. Suas homilias não são apenas reflexões; são convites à conversão, à escuta do Espírito, à vivência autêntica do amor cristão. E ao final da comunhão, quando o silêncio se torna sagrado, ele ergue sua voz em oração, uma súplica ungida, repleta de amor por Cristo, que toca os corações como brisa suave do Espírito Santo. 

Cinco anos de sacerdócio não são apenas uma marca no tempo, mas um testemunho vivo de entrega, renúncia e serviço. Padre Alex tem sido presença que consola, palavra que desperta, gesto que acolhe. Sua missão, como a dos discípulos de outrora, é ir por todo o mundo, começando por nós, aqui em Icaraí e anunciar com vida o Evangelho da salvação. 

Neste dia de ação de graças, a comunidade se une em oração e louvor, reconhecendo que o sacerdócio é dom e mistério. Que o Senhor continue a fortalecer os passos de Pe. Alex, renovando em seu coração o ardor missionário e a alegria do serviço. Que sua voz continue a proclamar com coragem: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me!” 

A Missa em Ação de Graças será celebrada no dia 30 de janeiro, às 18h. Venha, participe, e celebre conosco este marco de fé e amor. Porque quando um sacerdote diz “sim”, o céu sorri e a terra se enche de esperança. 

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BIOGRAFIA DO PADRE ALEX COUTINHO 

No coração da Arquidiocese de Niterói, entre as ruas de Icaraí e o pulsar da fé que se renova a cada celebração, floresce a história de um sacerdote que fez da timidez um altar e da oração um caminho: o Padre Alex Coutinho Abreu. Vigário paroquial da Paróquia de São Judas Tadeu, em 30 de janeiro de 2026 celebra os cinco anos de sua ordenação presbiteral, marco que não é apenas cronológico, mas espiritual, como um jubileu íntimo entre o céu e a terra. 

A vocação de Padre Alex não surgiu em meio a aplausos ou certezas, mas no recolhimento da adoração e na força discreta de um retiro carismático. Ali, onde o Espírito Santo sopra com suavidade e poder, ele ouviu o chamado de Deus. A timidez que parecia um obstáculo transformou-se em sinal de humildade, e a dúvida inicial foi vencida pela confiança que brota da oração. Cada lágrima derramada diante do Santíssimo Sacramento tornou-se semente de coragem, cada canto de louvor nos retiros da Renovação Carismática Católica foi tijolo na construção de sua entrega. 

O início de sua vida ministerial coincidiu com um tempo de provação mundial: a pandemia de COVID-19. Ordenado diácono e, pouco depois, presbítero no início de 2021, Padre Alex foi chamado a viver sua primeira experiência como neo-sacerdote em meio às restrições sanitárias. As cerimônias, transmitidas online, revelaram uma Igreja que, mesmo distante fisicamente, permanecia unida espiritualmente. Sua ordenação foi testemunho de que a graça não se confina, e que o sacerdócio é dom que atravessa fronteiras e circunstâncias. 

Hoje, como vigário paroquial em São Judas Tadeu, Padre Alex Coutinho é presença constante nas celebrações, nos encontros pastorais e na vida comunitária. Sua missão não se limita ao altar: ela se estende às ruas, às famílias, aos jovens que encontram nele um sinal de esperança. Cada missa celebrada é um eco de sua fidelidade, cada bênção concedida é reflexo de sua entrega. Ele se tornou parte viva da Arquidiocese de Niterói, colaborando em atividades que fortalecem a comunhão e testemunham o amor de Cristo. 

As comemorações de seus cinco anos de sacerdócio não celebram apenas uma data, mas a perseverança de um coração que disse “sim” à Igreja e nunca voltou atrás. O reconhecimento que recebe não é fruto de títulos ou cargos, mas da simplicidade com que vive sua vocação. Seu “sim” generoso é lembrado como resposta amorosa ao chamado divino, e sua vida é vista como testemunho de que a timidez pode se transformar em força quando se confia plenamente em Deus. 

A biografia de Padre Alex Coutinho é, em essência, uma oração contínua. Cada passo dado em sua trajetória é súplica e louvor, cada gesto pastoral é intercessão silenciosa. Ele é sacerdote que carrega no olhar a serenidade de quem foi moldado pela adoração, e no coração a chama de quem se deixou conduzir pelo Espírito. Sua história é convite para que todos reconheçam que a vocação nasce no íntimo, floresce na comunidade e se consuma no amor. 

Assim, ao celebrar cinco anos de ordenação presbiteral, Padre Alex Coutinho não apenas recorda o início de sua missão, mas renova o compromisso de ser sinal da presença de Deus em Niterói. Sua vida é testemunho de que o sacerdócio é dom e mistério, e que cada “sim” dado ao Senhor se transforma em caminho de luz para o povo de Deus.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

30 de janeiro de 2026

Ocasião dos 5 anos de ordenação presbiteral do Padre Alex Coutinho


 

7 de janeiro de 2026

1 CORÍNTIOS 13 – O HINO AO AMOR - A CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS

A CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS 13 é um famoso capítulo da Primeira Epístola aos Coríntios, conhecido por sua celebração do amor (ágape) como o maior dos dons espirituais, descrevendo-o como paciente, bondoso, sem inveja, sem orgulho, e eterno, contrastando-o com dons temporários como profecia e línguas, e concluindo que fé, esperança e amor permanecem, mas o amor é o maior deles. 

O capítulo 13 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios é considerado um dos textos mais belos e profundos do Novo Testamento. Nele, o apóstolo apresenta o amor (ágape) como o maior dos dons espirituais, superior a qualquer manifestação extraordinária como profecia, línguas ou conhecimento. Paulo escreve à comunidade de Corinto, marcada por divisões e disputas, para mostrar que o verdadeiro fundamento da vida cristã é o amor.

A SUPREMACIA DO AMOR (VERSÍCULOS 1–3)

Paulo inicia afirmando que todas as habilidades espirituais e até mesmo os maiores atos de fé ou sacrifício não têm valor se não forem acompanhados pelo amor. Falar línguas, conhecer mistérios, mover montanhas ou entregar bens e a própria vida são inúteis sem essa essência. 

A NATUREZA DO AMOR (VERSÍCULOS 4–7)

O apóstolo descreve as qualidades do amor de forma poética e prática: 

É paciente e bondoso.

Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.

Não maltrata, não busca interesses próprios, não se irrita facilmente, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Essa descrição mostra que o amor é ativo, generoso e perseverante. 

A PERMANÊNCIA DO AMOR (VERSÍCULOS 8–13) 

Paulo ressalta que o amor nunca acaba. Diferente das profecias, das línguas e do conhecimento, que são temporários e imperfeitos, o amor é eterno. Ele compara o conhecimento atual a um reflexo obscuro, prometendo que, quando vier o “perfeito”, veremos face a face e conheceremos plenamente, assim como Deus nos conhece. 

A TRÍADE DA FÉ, ESPERANÇA E AMOR (VERSÍCULO 13)

O capítulo conclui com uma síntese memorável: “Agora permanecem a fé, a esperança e o amor. Mas o maior destes é o amor.” Essa tríade resume a vida cristã, destacando o amor como o valor supremo que deve orientar todas as ações.

Paulo ensina que o amor é a base indispensável da vida comunitária e espiritual. Ele transcende dons, supera diferenças e permanece como o maior dom de Deus à humanidade. 

CONTEXTO

Paulo escreveu esta carta à igreja em Corinto para resolver problemas de divisão, imoralidade e mau uso dos dons espirituais, enfatizando que o amor deve ser a base de todas as ações e interações na comunidade cristã. 

1 CORÍNTIOS 13

O mais importante é o amor 

Se eu for capaz de falar todas as línguas dos homens e dos anjos e não tiver amor, as minhas palavras são como o badalar de um sino ou o barulho de um chocalho. Se eu tiver o dom de declarar a palavra de Deus, de conhecer os seus mistérios e souber tudo; e se eu tiver uma fé capaz de transportar montanhas e não tiver amor, não valho nada. Ainda que eu dê em esmolas tudo o que é meu, se me deixar queimar vivo e não tiver amor, de nada me serve. 

O amor é paciente e prestável. Não é invejoso. Não se envaidece nem é orgulhoso. O amor não tem maus modos nem é egoísta. Não se irrita nem pensa mal. O amor não se alegra com uma injustiça causada a alguém, mas alegra-se com a verdade. O amor suporta tudo, acredita sempre, espera sempre e sofre com paciência. O amor é eterno. As profecias desaparecem; as línguas acabam-se; o conhecimento passa. Pois tanto as nossas profecias como o nosso conhecimento são imperfeitos. Quando chegar aquilo que é perfeito, tudo o que é imperfeito desaparece. Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Depois tornei-me adulto e deixei o modo de ser de criança.

Agora vemos as coisas como num espelho e de maneira confusa. Naquele dia, iremos vê-las frente a frente. Agora o meu conhecimento é imperfeito, mas naquele dia vou conhecer como Deus me conhece a mim. Agora existem três coisas: fé, esperança e amor. Mas a mais importante é o amor.

 

SOBRE A IMAGEM DA POSTAGEM

 

SÃO PAULO

Pintura em óleo sobre tela, com dimensões de 103 cm de altura por 76 cm de largura. A obra esteve provavelmente na coleção dos Conti Guidi di Cesena no início do século XIX. Posteriormente, passou pela galeria Colnaghi, em Londres, em 1976, e pela Walpole Gallery, também em Londres, de onde foi adquirida pelo último proprietário. Foi exibida na mostra Italian Paintings 1550-1780, realizada pela Colnaghi em Londres entre 26 de maio e 2 de julho de 1976, sob o número 15. A referência fotográfica e de fonte é o catálogo da Sotheby’s, Londres, leilão de 8 de julho de 2009, lote 28.

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Giovanni Francesco Barbieri, mais conhecido como Guercino ou Il Guercino nasceu em Cento, 1591 e faleceu na Bolonha, 1666, foi um pintor do Barroco italiano, natural da região da Emília-Romanha e ativo em Roma e na Bolonha. "Guercino" é a palavra italiana para "estrábico", apelido que lhe foi dado por conta de seu desvio ocular. Tornou-se especialmente célebre por conta de seus caprichosos desenhos.

 

© Alberto Araújo

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29 de dezembro de 2025

MISSA DA SAGRADA FAMÍLIA - UM CANTO DE AMOR E ESPERANÇA


No dia 28 de dezembro, eu e minha esposa Shirley às 17h caminhamos até a Paróquia São Judas Tadeu, em Icaraí, para participar da Missa da Sagrada Família. O sol já se despedia lentamente, tingindo o céu de tons dourados, e havia no ar uma expectativa serena, como se cada passo nos conduzisse não apenas ao templo, mas ao coração de um mistério maior. 

Ao entrarmos, fomos acolhidos pela beleza do altar: um andor delicadamente decorado com a imagem da Sagrada Família, ornada de flores, irradiava ternura e devoção. Era como se José, Maria e o Menino Jesus estivessem ali, silenciosamente nos convidando a contemplar o valor da família, a simplicidade da fé e a grandeza do amor que se faz presença no cotidiano.

A missa foi presidida pelo Padre Alex Coutinho, cuja homilia tocou profundamente nossos corações. Suas palavras, cheias de clareza e fervor, lembravam que a família é o primeiro altar onde Deus se revela, e que o lar, mesmo em meio às dificuldades, pode ser espaço de graça e de encontro com Cristo. Havia na sua voz uma cadência que misturava firmeza e ternura, como quem fala não apenas à razão, mas também à alma. 

E então, quando o relógio marcou 18 horas, os sinos da igreja começaram a soar. Não eram apenas badaladas metálicas; eram como cânticos que se espalhavam pelo bairro, anunciando alegria, esperança e comunhão. O som dos sinos parecia abraçar a todos, dentro e fora da igreja, lembrando que a fé não se encerra nas paredes do templo, mas se expande para a vida, para as ruas, para os lares. 

Naquele instante, compreendemos que participar da Missa da Sagrada Família não era apenas cumprir um rito, mas viver uma experiência de encontro. O altar enfeitado, a homilia inspiradora, os sinos festivos, tudo se unia em harmonia para nos recordar que a presença de Deus se manifesta nos detalhes, nos gestos simples, na beleza da fé compartilhada. 

Saímos da igreja com o coração leve, como quem carrega consigo não apenas lembranças, mas uma promessa: a de que, assim como Maria e José guardaram o Menino Jesus, também nós somos chamados a guardar e cultivar a fé em nossas famílias, tornando cada lar um reflexo da Sagrada Família.

 

HOMILIA DO PADRE ALEX COUTINHO 

Queridos irmãos e irmãs, 

Sempre nos recordamos do sacramento da Eucaristia, esse tesouro da fé e da filosofia cristã, que alimenta nossa consciência e nosso coração. É por meio dele que cada um de nós é chamado a estabelecer a própria vida em profunda união com o povo de Deus, com o sangue de Cristo, com sua alma e com sua dignidade. 

Ele nos acolhe em seu corpo, que é dom gratuito. Esse dom nos torna representantes de Cristo no mundo, chamados à solidariedade e à graça. Que o Senhor nos veja aqui reunidos, em cada um de nós, procurando viver nossa vida sob o olhar da Sua graça. 

Neste momento, eu peço a Deus que esteja presente na vida de cada um. Assim como José e Maria, que mesmo diante das dificuldades confiaram nos planos divinos, também nós somos convidados a confiar nossa vida aos desígnios da fé.

Que Cristo possa estabelecer a paz em nossos lares, em nossas famílias, em nossos filhos, mesmo em meio às distrações do mundo moderno. Que essa paz seja verdadeira e venha de Deus. 

Que nossas famílias, esposos, esposas, pais e filhos sejam fortalecidas no amor e na fé. Que os pais que nos precederam na fé e no sangue nos inspirem a viver com dignidade. 

Eu lhes ofereço a oportunidade de contemplar este livro sagrado, não como algo perfeito em si mesmo, mas como sinal da nossa necessidade de ouvir a voz de Cristo. Que ao tocarmos e meditarmos nele, possamos encontrar a verdadeira liberdade que vem de Deus.

 

Amém.

ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO - PADRE ALEX COUTINHO

Esse pecado não é apenas um problema meu, mas de toda a humanidade. Como tantas vezes falamos na juventude, precisamos nos perguntar: o que devemos fazer com o pecado? O pecado exige sinceridade diante de Deus e do povo. No Cristo, o povo encontra um amor imenso, como um beijo que abraça a todos. 

Quando confessamos com fé, quando nos colocamos diante de Deus com humildade, experimentamos a graça de sermos parte da vida do povo. Aquilo que fazemos deve ser sempre para o bem da comunidade. 

Assim como José e Maria enfrentaram as desordens provocadas pelo pecado no mundo, também nós somos chamados a assumir nossa missão diante das dificuldades. José recebeu a vida de Jesus e, junto com Maria, aceitou o desafio de cuidar do Salvador. 

Esse Menino, Jesus, é o verdadeiro herói: aquele que vem para libertar o povo da escravidão, para destronar os falsos poderes e trazer esperança. Ele coloca em risco as falsas seguranças, mas nos dá a verdadeira liberdade. 

Muitas vezes, dentro de nossas casas, enfrentamos dramas: infidelidades, traições, filhos que se desviam, sentimentos confusos. Tudo isso nos mostra como a liberdade humana pode ser mal usada. Mas, assim como Maria e José, somos chamados a confiar em Deus e a transformar nossas famílias em lugares de fé e comunhão. 

Hoje, vemos também os riscos da humanidade: ideologias, grupos e cultos que afastam da verdade, isolamento dentro dos lares, medo e solidão. Quantas vezes, dentro da própria casa, pais e filhos vivem distantes uns dos outros. É preciso redescobrir a comunhão, a comunidade, a ajuda mútua. 

Jesus nos chama, como ouvimos na Segunda Leitura, a suportar uns aos outros, a levar o amor, a viver a concórdia, a ser instrumentos de paz e misericórdia. Muitas vezes não sabemos silenciar, não sabemos rezar. Mas é necessário rezar. 

Mesmo em meio às distrações da internet, das tecnologias e das preocupações, precisamos reservar tempo para a oração. Esse é o momento em que o anjo do Senhor visita nossas casas, para que possamos identificar o que ameaça nossa convivência e nossa família. 

A Sagrada Família nos inspira hoje: que ela esteja presente em nossas casas, para que possamos honrar nossa vocação e preparar-nos para a eternidade. Que haja uma nova aliança, uma nova conversão, recriando nossa vida em Cristo. 

Queremos renovar nossa fé, nossos mandamentos, nossa fidelidade. Que o Espírito Santo venha sobre nossos corações e nos faça encontrar tudo aquilo que é necessário para a vida e para a salvação.

Amém.

 

NOSSA ORAÇÃO 

Senhor nosso Deus, 

agradecemos por este momento de fé e comunhão.

Tu nos reuniste em torno da Tua Palavra e da Eucaristia,

para fortalecer nossa esperança e renovar nosso coração. 

Concede-nos, ó Pai, a graça de viver unidos em família,

de sermos testemunhas da Tua paz no mundo,

e de permanecermos firmes mesmo nas dificuldades.

Que Maria Santíssima e São José intercedam por nós,

para que possamos seguir os passos de Cristo,

com humildade, confiança e amor.

Recebe, Senhor, nossas vidas, nossos trabalhos, nossos sonhos,

e transforma tudo em oferta agradável a Ti.

Que nunca nos falte a Tua presença,

e que sejamos sempre livres na verdade do Evangelho.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 

28 de dezembro de 2025













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25 de dezembro de 2025

VIGILIA DO NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO - REFLEXÃO © ALBERTO ARAÚJO


No dia 24 de dezembro, véspera do Natal, sob o sol expressivo que banhava a Baía de Guanabara como um manto de ouro líquido, eu e minha Shirley Araújo caminhávamos de mãos dadas, sentindo as bênçãos do Cristo Redentor que se erguia majestoso no alto do Corcovado, vigia eterno da nossa alma fluminense. O ar salgado do mar misturava-se ao perfume de jasmins e à brisa morna de Niterói, cidade de sonhos tecidos em ondas. Era o prelúdio da Noite Santa, quando o céu parece se inclinar para sussurrar segredos divinos aos corações sôfregos de luz. 

Dirigimo-nos à Paróquia e Santuário São Judas Tadeu, em Icaraí, refúgio de fiéis onde as colunas guardam ecos de preces milenares. A missa de Natal iniciava-se sob a presidência do Padre Alex Abreu, homem de voz serena e olhos que transmitem a paz do Evangelho. A homilia, proferida pelo Padre Carmine, Vigário Episcopal da Arquidiocese de Niterói, tecia fios de esperança com palavras que penetravam como raios na alma: falava do Renascimento, do Verbo que se fez carne para reacender a chama da salvação em cada um de nós. 

Os fiéis, reunidos em magia e luz, seguravam velas acesas que tremulavam como estrelas caídas à terra. E então, o canto irrompeu, uníssono e fervoroso: "Nasceu Jesus, nasceu Jesus!", ecoando pelas naves como um trovão de alegria. O Padre Alex entrava em procissão solene, erguendo a imagem do Menino Jesus, envolto em panos brancos, olhos de porcelana que pareciam piscar com o mistério da Encarnação. Naquele instante, o tempo suspendeu-se; o Menino Deus chegava, humilde e infinito, para habitar nossos peitos partidos pelo ano que findava. Padre Alex o colocou no Presépio, preparado com amor e carinho, lugar de luz e amor. 

A Primeira Leitura, do Profeta Isaías 62,1-5, ressoou como um clamor profético: "Por amor de Sião não me calarei. Por amor de Jerusalém não descansarei, enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a Justiça, e não se acender nela, como uma tocha, a Salvação." Palavras que nos convocavam a ser sentinelas da luz, a não silenciar ante as trevas do mundo, mas a velar com amor tenaz, como a baía vela seus navios sob o olhar do Redentor. 

O Salmo Responsorial elevou-se em louvor: "Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor." Cada verso era uma flecha de gratidão, perfurando o véu da rotina para revelar o milagre da Noite Santa. Veio então a Segunda Leitura, da Carta de São Paulo a Tito, exortando à sobriedade da fé e à expectativa do Salvador, que nos redime da iniquidade para um povo eleito, zeloso de boas obras. Paulo, o apóstolo das gentes, falava diretamente a nós, niteroienses de fé vívida no coração da igreja. 

O Evangelho proclamou o tema do Renascimento: o coro dos anjos soava na terra entre os homens, anunciando "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade." Anjos invisíveis pairavam sobre Icaraí, tecendo harmonias celestiais que o coral humano ecoava. Recitamos o Credo com vozes entrelaçadas: "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra...", profissão de fé que nos ancorava no mistério trinitário, no Filho que se fez criança para nos resgatar. 

As Preces da Comunidade subiram como incenso: "Menino Jesus, atendei-nos...", súplicas por paz nas famílias, pela cura dos enfermos, pela justiça nos lares partidos. E o coração da missa pulsava no Coral, regido pelo Maestro Joabe Ferreira, mestre das melodias que elevam o espírito. Inúmeras canções em latim e francês desabrocharam, joias sonoras que transportavam a alma para além do tempo. Momento sublime quando entoaram o hino francês: "Peuple, à genoux, attends ta délivrance: Noël! Noël! Voici le Rédempteur!" – "Povo, de joelhos, espera a tua libertação: Natal! Natal! Eis o Redentor!" Aquelas sílabas gaulesas, tão distantes e tão próximas, faziam-nos ajoelhar interiormente, sentindo a libertação pulsar nas veias como o mar da Guanabara em maré alta.

Saímos da missa com o coração feliz, leve como pluma ao vento. Na porta da igreja, encontramos os amigos Lícia e Marne, rostos iluminados pela mesma graça natalina. Lícia, a nossa Dama do Piano, professora de piano, artista de renome internacional que já se apresentou com mais de 40 orquestras pelo mundo, de salas europeias ecoando Bach a palcos americanos dançando Chopin, atual Diretora do Espaço Cultural São Judas Tadeu em Icaraí. Com sua simplicidade e sabedoria sobre músicas clássicas, falou-nos que gostou de toda a missa, que ficou emocionada quando o hino "Peuple, à genoux, attends ta délivrance: Noël! Noël! Voici le Rédempteur!" – "Povo, de joelhos, espera a tua libertação: Natal! Natal! Eis o Redentor!", foi entoado brilhantemente pelo coral regido pelo Maestro Joabe Ferreira. Despedimos-nos com abraços quentes e seguimos para a nossa Ceia de Natal. 

Na Vigília do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, renascemos todos: do caos do ano ao colo do Menino Jesus, da sombra à tocha da Salvação. Que esta luz, acesa em Icaraí, ilumine os caminhos de Niterói e do mundo inteiro, até o dia em que o Redentor venha de novo, em glória plena. 

© Alberto Araújo










HOMILIA – NOITE DE NATAL – PADRE CARMINE PASCALE

24 de dezembro de 2025

 

Queridos filhos e filhas,

que também nos acompanham pelo nosso canal no YouTube. O coro dos anjos ressoou como uma pedra fundamental de um mundo novo. Seu canto anuncia a glória a Deus, Pai das alturas celestes, e ao gênero humano, a paz e a alegria. 

Queridos irmãos e irmãs, é hora de alegria e de paz. É hora de alegria e de paz porque, nesta noite tão santa, o Verbo, a Palavra, Aquele por quem tudo foi feito, entra definitivamente na história, na nossa história. A vida nasce em plenitude, pois a misericórdia vence. Sua vitória é garantir uma nova humanidade, recriar o mundo marcado por Caim, agora no amor. 

Havia uma luz que não estava na estrela que brilhava no céu naquela noite. A verdadeira luz estava no Menino, deitado sobre as palhas de um berço improvisado, numa gruta dura, num lugar destinado aos animais. 

E na narrativa que ouvimos nesta noite, segundo o Evangelho de São Lucas, isso fica muito claro. Embora nos lembremos da estrela, hoje não ouvimos nada sobre ela. Não é mencionada. Por quê? Porque o que mais importa não é a estrela: é Ele. É o Menino, o Emanuel, o Deus-conosco. Deus que veio habitar no meio de nós. Que grandiosidade é pensar nisso! 

Essa é uma lição fundamental, eternizada na alma de cada cristão, e que permanece profundamente atual. E que lições são essas? Precisamos mergulhar nesse mistério. 

O Príncipe da Paz fez-se presente, unindo em si a natureza humana e divina. Um bebê frágil, que já traz consigo a nossa salvação, a nossa redenção. A vida plena já estava ali. O projeto do Senhor se concretizava para sempre. 

Mas, apesar de esperado, Ele não foi reconhecido. Não foi acolhido. Não havia lugar para Ele. Todos estavam ocupados demais, preocupados com suas próprias coisas. 

No entanto, foi justamente no improviso, num lugar impensável, que o amor aconteceu. Ali, sob o cuidado de José, envolto nas faixas colocadas pelas mãos de Maria, aquele Menino foi acolhido. Eram faixas de ternura, de aconchego, de alegria materna, bem diferentes daquelas outras faixas dolorosas que, mais tarde, envolveriam o seu corpo na cruz.

Naquela noite, toda a criação se manifestava em louvor. Os céus proclamavam o amor de Deus. É o que nos recorda São Paulo em sua ação de graças. E como não agradecer, povo de Deus? Ele é bom. Deus é generoso, paciente, compassivo e misericordioso. Foi isso que cantamos no Salmo desta missa: Ele é tudo isso e muito mais.

Ao nos aproximarmos dessa cena, somos convidados a olhar para a família de Nazaré, a Sagrada Família. Nela se apresenta, de forma simples e profunda, o projeto de Deus: uma família como lugar de acolhimento, de segurança, de amor; verdadeira Igreja doméstica. 

Ali não havia grandes recursos, nem dinheiro, nem conforto. Havia apenas doação. E não é esse o exemplo que nos é dado? Fora de toda lógica humana, naquele lugar improvável, o Reino dos Reis foi acolhido. O Santo dos Santos assumiu nossa fragilidade. 

A humildade e a pobreza começam ali a apagar o orgulho herdado dos primeiros pais, orgulho que ainda hoje se infiltra em nossas comunidades e em cada um de nós, quando nos achamos melhores, quando nos deixamos dominar pela soberba e pelo egoísmo. 

Mas Deus se revela no silêncio, na simplicidade, na abertura do coração. É assim que aprendemos a intimidade com Ele. E esse é o bem que somos chamados a praticar. 

Irmãos em Cristo, somos filhos do mesmo Pai. Somos irmãos e irmãs chamados a construir uma humanidade fraterna, e não uma humanidade bélica, iracunda, dividida. Uma humanidade ferida por polarizações, por ideologias que apagam a essência do Evangelho e criam guerras, até mesmo dentro de nossas casas, de nossas famílias, entre amigos que se dizem cristãos. 

Quando deixamos de mergulhar na essência da Palavra e nos deixamos conduzir por discursos de ódio, esquecemos as lições maiores que este Menino nos traz. 

Hoje, Ele vem ao nosso encontro como Salvador. É o Cristo Senhor. E isso é o que realmente importa. 

A manjedoura que acolheu o Menino é a mesma lógica da cruz que um dia O receberá. O projeto de Deus é inteiro, coerente, conhecido por Ele desde sempre. O Menino nasce já como Príncipe da Paz, abraçando toda a humanidade.

Por isso, meus irmãos e irmãs, esta noite precisa ser vivida com profunda alegria, com harmonia, com perdão verdadeiro, com sorrisos sinceros e corações transformados. 

Precisamos transmitir esperança. E a nossa esperança é Cristo. Este Menino é a esperança viva. Nele nos é garantida a vida plena. 

Voltemos para nossas casas, para junto de nossos parentes e amigos, levando essa transformação que brota da mesa da Palavra e da mesa da Eucaristia. Levemos essa luz a todos, dissipando as trevas, impedindo que o mal prevaleça, se assim escolhermos. 

Como nos exorta São Paulo, pratiquemos o bem de forma ativa e concreta. Que esta seja uma noite de oração, de sentido profundo, de verdadeira conversão do coração. 

Feliz Natal.